A reforma trabalhista que destruiu a Espanha é igual ao do Brasil hoje

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Experiência espanhola indica futuro sombrio para o Brasil pós-Reforma Trabalhista

Os futuros – e nefastos – efeitos da reforma trabalhista – que entrou em vigor no último dia 11 – são facilmente previsíveis. Essa é a conclusão a que se chega quando se observam os resultados de sua homóloga européia. Aprovada em 2012, a reforma trabalhista espanhola, além de imprestável no combate ao desemprego, revelou-se útil apenas para o aumento de lucros e a concentração de renda nas mãos de poucos.

Governada pelos sucessores fascistas do ditador Francisco Franco, a Espanha sofre hoje os efeitos de uma política neoliberal verdadeiramente cruel, que, além da reforma trabalhista, ainda impôs inúmeros e intensos cortes de verbas para programas sociais e para investimentos em várias áreas.

Foi nesse cenário que a reforma trabalhista espanhola trouxe como resultado um quadro desolador: a destruição de direitos, a deterioração das relações de trabalho, a desvalorização salarial, a inviabilização das negociações coletivas, a piora e a precarização das condições de trabalho, o êxodo da juventude trabalhadora, a perseguição política e a criminalização de sindicalistas, entre outras mazelas sociais apontadas pelo deputado espanhol Rafael Mayoral.

Segundo Mayoral, em entrevista concedida na última sexta-feira (11) a jornalistas da imprensa alternativa, “há um empobrecimento, uma piora generalizada de todas as condições de trabalho para os assalariados e também para os não assalariados. Isso atinge em especial o setor mais jovem da classe trabalhadora”. Nesse último ponto, estima-se que, atualmente, cerca de 1 milhão de jovens tenham deixado a Espanha por conta do desemprego ou do caráter precário das oportunidades de emprego disponíveis.

Mayoral também afirmou que a reforma trabalhista não foi cruel apenas com a juventude. Após a reforma, os sindicalistas que contra ela lutaram passaram a sofrer perseguições políticas. O deputado espanhol estima que, atualmente, cerca de 300 sindicalistas estejam sendo processados na Justiça espanhola.

Os resultados sombrios a que chegou a reforma trabalhista espanhola tornam extremamente fácil antever que essas e outras mazelas ainda piores também ocorrerão no Brasil em um futuro bastante próximo.

A reforma trabalhista não será nefasta apenas para a classe trabalhadora. Ela será tão ou até mais devastadora ainda para o comércio e para a indústria nacional, especialmente para o pequeno e médio empresário. Ao se reduzir o poder aquisitivo da classe trabalhadora, o consumo – e o lucro – também serão reduzidos.

Desta forma, o empresariado nacional – que tanto apoiou o golpe – será penalizado de forma inversamente proporcional à sua capacidade econômica individual. E assim, ao lado da falência do pequeno e médio empresariado, os tubarões capitalistas festejarão a concentração de renda fartamente proporcionada pela agenda neoliberal – que, de resto, só beneficia a eles mesmos.

Esse cenário de terra arrasada que se projeta no futuro também se presta muito bem aos interesses de potências estrangeiras que queiram arrasar a concorrência da indústria brasileira. É o caso do imperialismo norte-americano que deseja ver o Brasil deixar de ser um concorrente internacional para vê-lo transformado em um país eminentemente rural, exportador de commodities e importador de tecnologia e produtos industrializados.

Por tudo quanto acima exposto, é fundamental à classe trabalhadora conscientizar-se dos seus verdadeiros interesses de classe e mobilizar-se, retomando, através de sua força, o protagonismo político. É inaceitável que toda uma Nação veja sacrificados seus direitos e interesses legítimos em prol de uma minoria parasita, que sequer trabalha. É um absurdo ver milhões de trabalhadores serem condenados à mais impiedosa miséria por essa casta parasita.

À classe trabalhadora resta, unicamente, a sua organização. Só mediante a conscientização e a organização é que será possível à classe trabalhadora derrotar o golpe de Estado, afastar a ameaça de golpe militar e implementar um governo verdadeiramente voltado aos interesses de sua população trabalhadora.

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