O golpe defensivo na Arábia Saudita

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O golpe na Arábia Saudita

O principal assunto nesta última semana foi o golpe de Estado que está sendo realizado na Arábia Saudita. O monopólio de imprensa burguesa não apresenta a crise como um golpe, mas é um golpe de Estado clássico, que esclarece duas questões da situação internacional: primeiro, que é tempo de golpes de Estado no mundo inteiro; segundo, que a própria burguesia faz o impossível para mascarar a ocorrência desses acontecimentos.

O príncipe herdeiro da Arábia Saudita ordenou a prisão de várias figuras importantes do regime político, entre elas, onze membros da família real. É importante assinalar que o objetivo desse golpe foi retirar das pessoas que poderiam ser seus oponentes dentro do regime político um poder efetivo que poderia ser usado para reverter a relação de forças dentro do próprio regime.

Mohammed bin Salman prendeu o comandante da Guarda Nacional e o Ministro do Interior, quer dizer, retirou dos demais príncipes, inclusive os presos, qualquer chance de almejar uma disputa com ele ao trono. Isto é, todo o poder efetivo dentro do regime e o aparato de segurança dentro do país ficaram inteiramente em suas mãos.

No entanto, o príncipe é uma figura que vem apresentando uma posição contraditória. A Arábia Saudita atravessa uma crise muito grande, econômica e política, com uma dívida externa crescente e uma renda do petróleo decrescente. Essa nova situação serviu apenas para aprofundar a crise já existente, ou seja, ressaltar a crise interna.

É importante assinalar que os grupos armados do Oriente Médio têm origem na Arábia Saudita, inclusive a própria AlQaeda, e a situação do regime é periclitante, com uma profunda instabilidade.

Esse golpe de Estado, evidentemente, é uma reação, em um primeiro momento, de características contrarrevolucionárias às tendências revolucionárias que estão se manifestando dentro do regime saudita. O regime já havia perseguido a minoria xiita do País, inclusive condenado à morte seu principal líder.

Portanto, é natural que exista uma reação e uma tendência a reestruturação. Esse príncipe é protagonista de uma série de reformas econômicas e políticas cujo significado para o imperialismo e o capital internacional ainda é obscuro.

Mas é evidente que o golpe está sendo visto como um problema político para os principais setores do capital financeiro, que não se colocam abertamente contra o golpe, não chamam de golpe, mas demonstram grave preocupação, principalmente com o fato de que várias pessoas que foram presas são aliadas estreitas do capital financeiro internacional.

O golpe, ainda em processo, apresenta características ainda pouco claras, mas é fato que a iniciativa é de caráter preventivo de um grupo dominante que sabia estar sendo ameaçado por seus adversários antes de se articularem. Esse tipo de golpe, desarmando a dinastia, mostra que há uma luta intensa pelo poder no País.

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