Operação do Exército com os EUA na Amazônia é provocação à Venezuela

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Operação do Exército com os EUA na Amazônia é provocação à Venezuela

Sob o pretexto da realização de exercícios militares com foco em ações humanitárias, 1940 civis e militares norte-americanos, brasileiros, peruanos e colombianos estão realizando, desde o dia 6 de novembro, a Operação AmazonLog17, que visa instalar uma base militar estrangeira, encabeçada pelos EUA, dentro do território nacional.

Os comandantes militares brasileiros mal conseguem disfarçar a desculpa esfarrapada para um exercício no qual participam os EUA, uma potência imperialista e seus parceiros na região, Peru e Colômbia. Uma potência estrangeira que encabeça a operação em prol de seu próprio interesse – que, em princípio, se dirige ao assédio e à provocação à Venezuela.

A instalação de uma base militar estrangeira no Brasil é completamente injustificável. Isso porque ela representará uma enorme ameaça não apenas à Venezuela, como à soberania nacional brasileira e à soberania dos povos latino-americanos. O que hoje é um exercício militar conjunto e temporário, amanhã poderá se voltar contra a própria segurança nacional brasileira. Mas os militares brasileiros se omitem dessa ameaça.

De fato, em entrevista à EBC, o Coronel Evandro Lupchinski afirmou que a montagem de uma base multinacional e logística na região amazônica é uma realização. Natural e evidente que será uma realização ótima para os norte-americanos, que visam ter um posto avançado de controle sobre toda a América Latina. Um posto avançado de controle tal qual Guantánamo, onde os EUA poderão estocar todo o material bélico necessário para a utilização contra qualquer nação sul-americana, inclusive contra o Brasil.

O AmazonLog17 atende ao melhor interesse norte-americano, cujo objetivo primeiro é o de instalar uma base militar particularmente próxima da fronteira com a Venezuela. Uma base militar que facilite ao máximo uma possível invasão armada àquele país, com o claro intuito de derrubar um governo eleito, hoje encabeçado pelo Presidente Nicolas Maduro.

A desculpa lançada aos quatro ventos pelos comandantes militares brasileiros é a de que serão realizados vários exercícios para melhorar a capacidade das Forças Armadas no atendimento à população em casos de graves secas, graves enchentes, dano ambiental, problemas sanitários, como também a recepção, a triagem e o deslocamento de refugiados. Trata-se, no entanto, de um mero meio de buscar o apoio da opinião pública a uma operação ilegal e injustificável.

No entanto, é fácil perceber o engodo. É fácil perceber que o verdadeiro objetivo do governo golpista passa longe de uma preocupação com a população civil. Isso porque o mesmo governo golpista que afrouxou a portaria do trabalho escravo e retirou direitos dos trabalhadores brasileiros é o mesmo governo que fez o convite e celebrou o acordo com os norte-americanos, genocidas profissionais, para a instalação do AmazonLog17.

É, portanto, cristalino que os golpistas pouco se imporeem com a população. Um governo realmente preocupado com a população civil estaria empenhado em assegurar direitos e não em retirá-los todos. Trata-se de uma indisfarçável desculpa – esfarrapada, ridícula e abusiva – para justificar o injustificável: a instalação, em território nacional, de uma base militar dos EUA (que sequer faz parte da Região Amazônica) e de países a eles alinhados, como é o caso do Peru e da Colômbia. Trata-se, portanto, de uma iniciativa que cria um risco sem precedentes para a soberania nacional brasileira.

Sobre o tema da subserviência dos golpistas aos interesses norte-americanos – tema que, de resto, nunca foi questionado pelos militares – vale rapidamente lembrar a entrega dos golpistas da Base de Alcântara, no Maranhão.

Também vale lembrar a celebração do Acordo Mestre de Troca de Informações, que coloca a indústria bélica brasileira na dependência tecnológica aos EUA. Tudo para realinhar o Brasil aos interesses estratégicos, militares e geopolíticos dessa potência estrangeira.

Finalmente, o governo golpista não observou sequer a Constituição burguesa, pois deveria ter pedido autorização ao Congresso Nacional para que militares estrangeiros pudessem entrar e transitar no território nacional.

Todas essas ações entreguistas e subservientes aos interesses dos EUA pelos capachos golpistas – entre os quais se encontram vários elementos de cúpula das Forças Armadas – são fruto do golpe de Estado de 2016. Hoje, mais do que nunca, se torna preciso derrotar o golpe e os golpistas. É preciso derrotar esse golpe que põe em risco a segurança e a soberania nacional. Um golpe que impede a construção de um projeto de Nação e que, como nunca antes, põe em risco os direitos e interesses de toda a classe trabalhadora brasileira.

Fora todos os golpistas!

Fora as tropas imperialistas do Brasil e da América Latina!

Abaixo o golpe militar!

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