Congresso: mexeram com uma, agora vão mexer com todas

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Congresso: mexeram com uma, agora vão mexer com todas

Uma das mais tradicionais palavras-de-ordem do movimento de mulheres é o “mexeu com uma, mexeu com todas”. O Congresso Nacional, antro de direitistas, derrubou Dilma Rousseff, através de um impeachment comprado, fraudulento, no que se tornou passo essencial para as demais medidas dos golpistas.

Nos sonhos da direita, dentro e fora do parlamento, estava o de acabar com a possibilidade do aborto legal, ou seja, derrubar o direito de interromper a gravidez em caso de estupro ou risco de vida para a mãe, previsões legais, do Código Penal dos anos 1940.

Depois de derrubar Dilma Rousseff, para uma ala dos direitistas do Congresso, ligada às igrejas, acabar com o aborto legal era o passo imediato. Dito e feito.

No melhor estilo dos golpistas no Congresso, enquanto discutiam a ampliação da licença-maternidade em caso de bebê prematuro, foi aprovado, por 19 votos a 1, que a Constituição proíba todas as formas de aborto no País.

Jorge Tadeu Mudalen, antigo opositor dos direitos das mulheres, do DEM de São Paulo, afirmou: “Mexemos na Constituição no sentido de que a concepção é a partir do momento em que o óvulo é fecundado pelo espermatozóide, ali já tem uma vida”. Ou seja, deram um golpe durante a votação da licença-maternidade, golpe que significa retrocesso de quase 80 anos.

Os mesmos que derrubaram Dilma Rousseff, agora aprovaram a obrigatoriedade da gestação mesmo em caso de estupro ou risco de vida para a mãe. Ou seja, não é “tudo igual”, como afirmava determinados setores da esquerda pequeno-burguesa que defenderam ou se calaram diante do golpe de Estado.

É diante desses ataques, esse sendo um dos maiores dos golpistas, pois abre a possibilidade de levar dezenas de milhares de mulheres à cadeia, ou à morte, é que é preciso levantar a bandeira da anulação do impeachment e mobilizar toda a população em torno dela, pela derrota do golpe de Estado e de todos os seus ataques.

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