A direita canina

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Hoje entra em vigor a nova legislação trabalhista. Ainda é apenas o começo. O programa da direita, se aplicado até o fim, tornará cada aspecto da vida dos pobres e dos trabalhadores um inferno, com baixos salários, sem direitos trabalhistas, nem serviços públicos. Em uma palavra: neoliberalismo. Uma segunda onda neoliberal, mais destruidora do que a primeira.

A legislação trabalhista, a venda do pré-sal, os cortes de gastos públicos e os planos de roubo da Previdência são todas obras do governo golpista. O programa neoliberal não venceu nas urnas. Pelo contrário, é o programa derrotado nas eleições de 2014.

Para colocar em marcha seu programa, a direita teve que dar um golpe de Estado. A presidenta Dilma Rousseff, eleita com 54,5 milhões de votos, foi tirada de seu cargo por meio de um processo fraudulento de impeachment. Um processo que teve o resultado no Congresso comprado com uso de propina e que tem que ser anulado para que a soberania do voto popular seja recuperada. Essa é a reivindicação dos comitês de luta contra o golpe formados e em formação por todo o Brasil.

A perseguição ao PT não parou no processo de impeachment. As ditaduras militares da América do Sul foram pioneiras em aplicar políticas neoliberais no mundo, depois de derrubar governos nacionalistas burgueses que uniam a burguesia de países atrasados e o apoio dos trabalhadores a grandes partidos reformistas. Todos aqueles golpes militares foram seguidos por uma brutal perseguição à esquerda reformista em primeiro lugar. O alvo principal novamente é o reformismo, que de novo arrasta as massas em seu apoio e representa um obstáculo para a política do imperialismo para os países atrasados.

A perseguição ao PT inclui uma campanha permanente na imprensa contra o partido e uma série de arbitrariedades judiciais, com condenações sem provas e a tentativa de tirar Lula das eleições de 2018. Miram no PT para acertar a esquerda de conjunto, incluindo partidos, sindicatos e movimentos populares. A própria presidenta eleita foi derrubada com um suposto crime contábil como pretexto. Crime que não ficou provado, mas ainda que fosse provado, seria apenas uma desculpa para usurpar a democracia.

O ridículo também não impede a direita quando se trata de perseguir Dilma e o PT. Esta semana o deputado Ricardo Izar (PP-SP) foi depor na Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente e à Ordem Urbanística (Dema). O depoimento se refere a uma denúncia que o deputado, presidente da Frente de Proteção aos Direitos dos Animais na Câmara, fez contra Dilma ano passado. Enquanto corria o processo de impeachment, o cachorro Nego, dado a Dilma por José Dirceu, teve que ser sacrificado devido a uma doença degenerativa. Até isso foi usado para perseguir Dilma, com uma acusação absurda na justiça.

Dilma foi obrigada a divulgar uma nota oficial esclarecendo o caso, relatando a doença do cachorro e o motivo de ter que sacrificar o animal, sob orientação de um veterinário. A extravagância da acusação ilustra a que ponto a direita está disposta a ir para perseguir seus adversários, tornando a morte de um cachorro caso de polícia, sem nenhum medo de passar ridículo nacionalmente. Infelizmente, a direita não vai parar por aí caso o golpe continue avançando. A perseguição, implacável até o ridículo, pode se tornar sombria e violenta, de novo.

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