10/11: mobilizações refletem dispersão e confusão política das direções

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Mobilizações do dia 10 de novembro refletem a dispersão e a confusão política das direções

Nesta sexta-feira (10), aconteceram, em diversas cidades do Brasil, mobilizações convocadas principalmente pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e seus sindicatos, como parte do Dia Nacional de mobilizações, e paralisações contra a “reforma” trabalhista proposta pelo governo golpista, a qual na prática extingue inúmeros direitos dos trabalhadores.

Em São Paulo, a manifestação aconteceu, na parte da manhã, na Praça da Sé, e, à tarde, no Palácio dos Bandeirantes, como parte do calendário de luta dos servidores públicos estaduais contra os ataques do governo Alckmin.

 

A falta de uma luta geral contra o golpe

As mobilizações na maioria dos estados não foram massivas, pois, na realidade, o que se viu foram atos pequenos, reflexo da confusão e da dispersão política do movimento de luta contra o golpe. Não houve, na maioria dos casos, uma  mobilização prévia nas bases das categorias. Assim, as manifestações tiveram um caráter fragmentado, reunindo, em grande parte, uma maioria de dirigentes e ativistas dos sindicato, constituindo-se de protestos que se colocavam diante de um fato consumado, a famigerada reforma trabalhista que entra em vigor já a partir desta segunda-feira (13).

A confusão política e a dispersão foram a tônica das manifestações. Um dos fatores que contribuíram para que os atos fossem pequenos, em sua grande maioria, foi a falta de uma perspectiva geral de luta, que nesse momento teria que ser a derrota do golpe de estado. As mobilizações não colocaram, como problema central, a necessidade de se lutar contra o golpe, apenas focaram problemas parciais, como esta imposta reforma trabalhista, ou, como no caso de São Paulo, a derrota do Projeto de Lei 920, que congela os gastos públicos dos servidores estaduais.

Toda a experiência recente do movimento operário demonstrou, à exaustão, que as lutas parciais não levaram e não levarão à vitória sobre os golpistas, cujo arsenal de ataques contra os explorados e contra a economia nacional e os direitos democráticos do povo, parece uma fonte inesgotável.

É a mesma confusão política que se viu no início do ano, quando quase a totalidade da esquerda passou a defender a necessidade de se lutar contra cada ataque promovido pelos golpistas em específico, como a PEC 55, a reforma da Previdência, a Terceirização etc. Essa política não contribui para a unidade do movimento em torno da raiz do problema que é o golpe de estado de 2016, ou seja, a derrubada pelas mãos da direita de uma presidenta de esquerda, legitimamente eleita, por meio de um impeachment fraudulento, perpetrado pelo imperialismo.

 

Em meio ao golpe de estado e diante da ameaça de golpe militar, uma ilusão: as eleições de 2018

 

Outro elemento de confusão política que se viu nos atos foi a crescente ilusão nas eleições de 2018, pois refletiram a política que domina a maioria das direções, de abandonar, de fato, qualquer perspectiva de luta real nesta etapa, para se concentrar na campanha eleitoral futura, tendo como base a crença infundada de que o regime golpista irá promover eleições relativamente democráticas no próximo ano, que permitiriam uma vitória da esquerda, e que, sob esta convicção, seria preciso esperar por tais eleições para promover as mudanças de todas as medidas impostas e adotadas pelos golpistas.

Essa perspectiva gerada permanece, mesmo diante do fato de que os chefes do Exército ameaçam a população com o golpe militar, caso seja concretizada a falência do governo Temer, ou, talvez, ainda, sem expressar o verdadeiro motivo, que seria o perigo da não ascensão dos partidos e dos candidatos da burguesia golpista, com um possível retorno ao poder da esquerda brasileira.

Assim, os atos tiveram em vários estados o caráter ultra limitado de “desgastar” os governos e parlamentares golpistas favoráveis às reformas contrárias aos trabalhadores e responsáveis por outros ataques. Além disso, aproveitando-se da proximidade das eleições, deputados e outros parlamentares, que apoiaram ativamente o golpe, participaram das mobilizações como forma de se promover politicamente, tendo em vista as improváveis próximas eleições.

É preciso destacar que jogar todas as fichas na campanha eleitoral é uma política que só pode levar à capitulação e à derrota do movimento contra os golpistas. O País vive sob um golpe de estado, em que a direita controla e manipula todas as instituições e  age abertamente para acabar com as eleições do próximo ano, pois tem consciência de que, se elas foram minimamente democráticas, a vitória do principal candidato dos movimentos populares e da classe trabalhadora, Luiz Inácio Lula da Silva, é certa.

Tende em vista esse problema, os golpistas já atuam para endurecer ainda mais o regime político, impondo novamente uma ditadura no país. Ter a ilusão de que as  eleições de 2018 ocorrerão como previstas, nesse momento, é um erro que pode custar caro para a esquerda e toda a população brasileira.

 

Muito longe da “grande” greve geral

 

Ao contrário do que pregavam determinados grupos da esquerda-pequeno burguesa, como o PSTU, e outras organizações menores, o dia 10, nem de longe foi o dia da “grande” greve geral contra os ataques de Temer. Na prática, não houve greve alguma e as poucas paralisações que ocorreram foram muito pequenas e focalizadas. O fracasso desta greve geral é também consequência da atual política confusa de esquerda pequeno burguesa, a qual, em sua imensa maioria, apoiou o golpe de estado contra o governo do PT.

 

Organizar  os comitês de luta contra o golpe

 

A situação aponta para a necessidade de reorientar o movimento de luta em torno da derrota do golpe. Sem uma luta geral que coloque em pauta a unidade de todos os setores da classe trabalhadora contra os golpistas, o movimento de luta tende à dispersão, frente aos inúmeros ataques promovidos pela direita.

Para que essa unidade ocorra na prática, é de extrema necessidade criar, em cada local de trabalho, em cada fábrica, nas escolas e nos bairros, os comitês de luta contra o golpe, que devem ser estruturados para ser o principal instrumento para se desenvolver uma luta real contra todos os golpistas. Essas organizações devem agrupar todos aqueles setores ativos da classe trabalhadora que querem desempenhar um luta permanente contra o golpe, seja por meio de panfletagens, coleta de assinaturas, organização de atos, debates etc.

A ampliação dos comitês de luta contra o golpe que já existem, assim como a organização de novos núcleos, é o único caminho para o desenvolvimento de uma perspectiva correta de luta que coloque de maneira clara o seu objetivo de derrotar os golpistas que se instalaram junto ao governo usurpador, todos aqueles que tomaram de assalto o poder no País.

 

 

 

 

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