Reunião do alto comando: militares reconhecem “caos”; esquerda precisa reconhecer ameaça de golpe militar

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Mais uma declaração de oficiais das Forças Armadas para a coleção de declarações de apoio à intervenção militar. Dessa vez, a cúpula militar, segundo divulgado pela Folha de S. Paulo, se reuniu na última quarta-feira, dia 1º de novembro. Os comandantes aprovaram uma ata em que dizem estar “preocupados com a falta de tranquilidade no atual quadro político e econômico e com o impacto desse cenário nas eleições de 2018” (Folha de S. Paulo, 8/11/2017).

Como é bem típico da Folha de S. Paulo, a reportagem apresenta o resultado da reunião dos comandantes de maneira a confundir o panorama político. A matéria chega a dizer que a reunião “dá um sinal contrário às recentes declarações de oficiais sobre intervenção militar” (idem). Aparentemente, só a Folha teve acesso à ata da reunião, mas fica claro que as conclusões não devem ser otimistas. Fato é que, na melhor das hipóteses, uma parte do comando militar sabe que um golpe militar é iminente e tenta controlar uma ala mais radical favorável à intervenção. Ou seja, o golpe militar é um debate aberto no interior das Forças Armadas.

A “preocupação” com a tranquilidade do País nas eleições reflete justamente a discussão sobre o “caos” no País que serve como pretexto para uma intervenção.

Fica claro que o golpe militar é uma política cada vez mais alastrada nas Forças Armadas. As declarações do general Hamilton Mourão e de outros generais e oficiais não são fatores isolados. Os militares já reconhecem o “caos” e já discutem como irão intervir na situação.

Nunca é demais lembrar que a declaração de Mourão defendendo a intervenção foi sucedida por outras declarações de apoio ao golpe. Também houve uma reunião, no dia 26 de setembro, entre o comandante geral do Exército, Eduardo Vilas Bôas, e oficiais da ativa e da reserva. Essa reunião, que aconteceu logo após a declaração de Mourão, aconteceu de maneira sigilosa e segunda a própria Folha de S. Paulo, ao pedir acesso aos registros em texto, áudio e vídeo, teve o pedido negado pelo Exército, que alegou não haver registros da reunião.

Tudo isso mostra que o golpe militar já é uma possibilidade iminente na situação política. Ao contrário dos militares, que dão demonstrações de que reconhecem o “caos político e social” da situação do País, o que serve de pretexto para um golpe, a esquerda pequeno-burguesa continua se recusando a enxergar a ameaça cada vez mais real de uma intervenção militar. Só não percebe quem não quer, ou quem, como a esquerda, está embriagado pela ilusão eleitoral. É preciso denunciar os militares e mobilizar contra o golpe.

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