DF: Comitê contra o Golpe comemora a Revolução combatendo a direita

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DF: Comitê contra o Golpe comemora a Revolução combatendo a direita

Na última terça (7), comemorou-se o centenário da tomada do palácio de inverno em Petrogrado – marco da insurreição bolchevique da Revolução Russa. Em Brasília, às vésperas da data, os militantes do Partido da Causa Operária preparavam-se para celebrá-la, quando se teve notícia da preparação de um ato de extrema direita na Universidade de Brasília: a exibição do documentário “O jardim das aflições” sobre o astrólogo Olavo de Carvalho. Imediatamente a militância do PCO e o Comitê contra o Golpe – Distrito Federal mobilizaram-se para comemorar a Revolução na Universidade, fazendo frente à ofensiva direitista.

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DF: Comitê contra o Golpe comemora a Revolução combatendo a direita 3Na segunda-feira (6) 300 cartazes foram colados nas paredes do Instituto Central de Ciências (ICC) e centenas de panfletos foram distribuídos convocando a comunidade para participar de um ato comemorativo após assistir à exibição do documentário “Dez dias que abalaram o mundo” (Grigoriy Aleksansdrov, 1967). O apoio do Centro Acadêmico do curso de Serviço Social (CASESO) foi decisivo para a ocupação do mezanino de uso comum junto à entrada sul do edifício. A atividade transcorreu em clima aguerrido mas tranquilo. Com medo da força da militância, os coxinhas contrataram até mesmo seguranças particulares que se posicionaram à entrada do ICC e mostravam visível apreensão a cada palavra de ordem entoada em coro pelo grupo de esquerda.

CineMarx

A exibição do filme foi parte do CineMarx, um programa do PCO-DF que já exibiu mais de uma dezena de produções cinematográficas sobre o socialismo, sempre acompanhadas de um debate crítico e de pipoca. Realizado semanalmente, às sextas-feiras, o CineMarx já teve em cartaz, por exemplo, “Outubro” (Eisenstein, 1928), “Hamlet” (Kozintsev, 1964) ou “Rosa Luxemburg” (von Trotta, 1986), dentre outros.

“Dez dias que abalaram o mundo” é um documentário da Granada Television narrado por Orson Welles, e baseado no célebre livro homônimo (1919) de John Reed. Aleksandrov, encarregado da produção reúne imagens reais do arquivo de Herman Axelbank – incluindo as de Dziga Vertov – àquelas encenadas para o filme Outubro (1938) – de Sergei Eisenstein. Acrescenta ainda fotografias, entrevistas, recortes de jornal, numa crônica viva e envolvente da Revolução Russa de 1917.

O filme mostra a situação na Rússia pré-revolucionária, a situação de semiescravidão dos trabalhadores rurais, a crueldade do Czar na repressão à tentativa de revolução de 1905, o sacrifício da população pobre durante a Primeira Guerra Mundial. Em 1917, chega-se aos momentos decisivos da revolução: a deposição da monarquia, o governo provisório social-democrata de Kerenski, o progressivo descontentamento da população com a permanência do país na guerra, a tentativa de golpe militar e finalmente a insurreição bolchevique de 25 de outubro (7 de novembro no calendário gregoriano).

O ato: celebrar a revolução, lutar contra o golpe, combater o fascismo

Após a exibição do filme, o Comitê contra o Golpe realizou um ato-debate que contou com intervenções de representantes do PCO e do PT. Ressaltou-se, antes de tudo, as conquistas da Revolução. O diretor do Sindsep e militante do PCO, Expedito Mendonça, ressaltou que poucos anos, fez-se a reforma agrária, industrializou-se a Rússia, novos benefícios e garantias sociais foram concedidos a todos os trabalhadores, instituiu-se o ensino superior universal, as mulheres atingiram – pela primeira vez – a igualdade de direitos. Uma perspectiva revolucionária concreta abria-se para os povos de todo o mundo.

O coordenador do Sindicato dos Arquitetos do DF, Danilo Macedo (PCO) apontou que hoje o imperialismo leva a cabo um grande ataque contra os trabalhadores, sobretudo os da América Latina. No Brasil, essa investida concretiza-se no golpe de estado em curso, com o impeachment de Dilma Rousseff, com o novo regime fiscal, com a destruição dos direitos trabalhistas e o fim da previdência, com a volta do trabalho escravo, com o fim da saúde e do ensino público, com a privatização geral e indiscriminada, que entrega o nosso patrimônio ao estrangeiro a preço de banana, com iminência de um regime militar. Diante desses arbítrios, setores sociais reacionários saíram do armário: grupos conservadores e fascistas com o apoio da imprensa golpista tomaram de assalto os movimentos estudantis, as redes sociais, o ideário de nossa juventude.

A professora Thelma Maria da Silva (PCO), reforçou a necessidade de formação de Comitês de Luta contra o Golpe nas universidades do Distrito Federal – sobretudo as públicas como a UnB. Para Thelma, a polarização do cenário político atual permitiu o ascenso da direita, mas também a rearticulação das forças populares de esquerda em muito maior número e força, como o próprio ato demonstrava.

Reginaldo Dias (PT), à frente de movimentos sociais como o Cio das Artes ou a Aurora do Oprimido na Ceilândia (DF), apontou o caráter global e capitalista do golpe em curso no Brasil, em que os maiores atingidos serão os mais pobres: desprovidos de políticas sociais, de saúde e educação públicas, de saneamento básico, passarão a viver em condições cada vez mais miseráveis. Dias relembrou que ao se lutar contra cada medida golpista em curso, deve-se ter em mente o objetivo geral de derrota do golpe.

O diretor do Sindicato dos Bancários e da CUT-DF, Ricardo Machado (PCO), alertou os presentes para a iminência de um golpe militar, cujas condições políticas e sociais estão dadas: descrédito e ilegitimidade das instituições, uma crise econômica que a cada dia apena mais e mais a população, um comando das Forças Armadas que já se declarou abertamente golpista. É necessário, por isso, lutar e denunciar o golpe militar hoje, de modo a mandar os generais de volta à caserna.

DF: Comitê contra o Golpe comemora a Revolução combatendo a direita 4Por fim, a deputada federal Érika Kokay (PT-DF), relembrou diversos avanços políticos e teóricos que foram vitoriosos com a Revolução Russa: sobretudo a clareza sobre o panorama imperialista da economia global (Lênin) e a ideia de desenvolvimento desigual e combinado (Trótski), que levaria o país à industrialização. Para Kokay, a Revolução teve consequências imediatas em todos os países do mundo (incluindo o Brasil), que cederam às pressões populares por mais direitos trabalhistas. São os mesmos direitos que hoje são retirados diariamente dos trabalhadores pelo avanço golpista, tornando a Revolução Russa e seus princípios mais que nunca atuais.

Resistência à direita e ao fascismo: papel dos marxistas

Mais que um ato cultural, uma celebração, a atividade do Comitê contra o Golpe dessa terça mostrou mais uma vez como se deve combater a direita fascista. Em 27 de outubro, o Comitê contra o Golpe da UFPE em Recife botou para correr os fascistas que tentaram interferir numa atividade também realizada em contraponto à mostra do filme sobre Olavo de Carvalho.

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Reforço da guarda convocado por coxinhas amofinados.

Condoídos com a derrota em sua estreia universitária pernambucana, os direitistas tentam impulsionar uma série de mostras do filme sobre Olavo de Carvalho em universidades públicas do país. Assim como no caso de Pernambuco, o contraponto da esquerda em Brasília foi veemente e avassalador. Com a massiva propaganda e a forte presença no espaço público em frente à entrada da universidade, os coxinhas se amofinaram. Não se viu um anúncio público, poucos acorreram à mostra. Nenhum fascista se aventurou a tentar agredir o ato em homenagem à revolução.

A atividade do Comitê foi o único ato público em comemoração à Revolução Russa realizado em Brasília no dia de seu centenário. Foi também o único ato de resistência direta ao fascismo que vem levantando a cabeça na UnB. É preciso que o Diretório Central dos Estudantes, encabeçado pela juventude do PT, tome a atitude como exemplo de combate à direita, e que cada vez mais ocupe os espaços a que o as forças populares fazem jus na universidade pública. É preciso agir de acordo com as condições concretas e os enfrentamentos colocados a cada dia, e não prostrar-se no derrotismo, na inércia da espera pelas eleições, ou na discussão programática abstrata. Enquanto os marxistas celebravam a Revolução e faziam um ato de enfrentamento à direita, um grupo da esquerda burguesa se reunia em outro edifício, quinhentos metros distante, para assistir a uma palestra de Guilherme Boulos dentro do movimento Vamos

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