Golpe militar tem programa: fazer contra o povo o que Temer não conseguiu

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Golpe militar tem programa: fazer contra o povo o que Temer não conseguiu

Em artigo publicado na Folha de S. Paulo (“Cúpula militar pede clima eleitoral tranquilo em 2018”), é informado que na quarta, 1º, dirigentes da Forças Armadas reuniram-se e se disseram “preocupados com a falta de tranquilidade do atual quadro político e econômico e como impacto desse cenário nas eleições de 2018.” Para a Folha, que procura disfarçar os objetivos reais dos militares, isso indicaria que não há possibilidade de uma intervenção militar, já que as eleições de 2018 são desejadas “com tranquilidade”.

As afirmações indicam para um outro lado: “é preciso que o País construa o ambiente de tranquilidade necessário para prosseguir no esforço de superação das dificuldades econômicas, essencial para a defesa da soberania e dos interesses nacionais para que tenhamos um processo eleitoral tranquilo no próximo ano”. Esta afirmação demonstra claramente a tendência de intervenção dos militares no regime político, pois a busca pela “tranquilidade” do regime vai em direção contrária à verdadeira rota do País: a crise política, com polarização e cada vez mais instabilidade.

A crise do governo Temer estimulou a aparição dos militares. Ao mesmo tempo em que surgiu 2ª denúncia contra o presidente golpista, os militares ressurgiram, falando em possibilidade de intervenção etc. Com a vitória de Temer no Congresso, a possibilidade de intervenção militar ficou ainda mais provável.

A burguesia imperialista já chegou em um consenso: é preciso tirar Temer; o presidente golpista não está mais dando conta de levar adiante a política do imperialismo, as reformas, privatizações e arbitrariedades, ao mesmo tempo em que representa alguns setores da burguesia nacional, com interesses contrários aos do imperialismo, o governo Temer ainda é extremamente impopular e não tem sido capaz de conter com eficiência a reação dos trabalhadores.

É neste contexto em que surgem os militares; para continuar aquilo que Temer não está sendo capaz de fazer, e impor com punhos de ferro os ataques aos trabalhadores.

Segundo a própria Folha de S. Paulo, “a avaliação dessas autoridades é que o Brasil corre o risco de explodir economicamente, sem reformas importantes, e que líderes políticos estão preocupados apenas com as próximas eleições, o que desestabiliza o país”. Neste parágrafo, fica claro duas posições defendidas pelos militares: primeiro, eles são a favor das reformas que estão sendo os piores ataques à classe trabalhadora, impondo retrocessos de até 100 anos atrás, como o fim da CLT, por exemplo; segundo, declaram nas entrelinhas sua oposição a Lula, que vem feito campanha eleitoral como método de agitação política e sobrevivência, diante da situação de perseguição constante que os golpistas o colocaram.

Os militares estão aí para continuar os ataques ao povo que Temer não está conseguindo efetuar; são o remédio amargo da burguesia para conter a classe trabalhadora, caso ocorram “intranquilidades”, e impor com mão de ferro as reformas, privatizações e todos os ataques ao povo que foram iniciado pelo golpe, e cujo a tendência é apenas aumentar.

Por isso, diante das declarações já feitas por diversos dirigentes do Exército, é necessário se mobilizar contra o golpe militar. A política de avestruz, de enfiar a cabeça no buraco e fingir que não está nada acontecendo é jogar poeira nos olhos dos trabalhadores, que estão diante do maior retrocesso de sua história, caso não consigam reagir à altura.

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