Áudio revela que Gestão Doria dificulta acesso jornalístico a dados da Prefeitura de São Paulo

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Áudio revela que Gestão Dória dificulta acesso de jornalistas a dados públicos

A grande imprensa obteve acesso ao áudio de uma reunião na Comissão Municipal de Acesso à Informação (Cmai) que mostra que a Gestão Dória age para dificultar o acesso dos jornalistas a informações sobre a Prefeitura de São Paulo. A conduta viola a Lei de Acesso à Informação, promulgada em 2012.

No referido áudio, o número 2 da Secretaria Especial de Comunicação, o chefe de gabinete Lucas Tavares, fala sobre maneiras de atrasar a divulgação dos dados para que, com a demora, os jornalistas desistam das matérias.

Ao tratar de uma solicitação de dados sobre o grande número de buracos na cidade, o chefe de gabinete disse que iria “botar pra dificultar”: “Como buraco é sempre matéria por motivos óbvios – a cidade parece um queijo suíço, de fato -, e a gente está com problema de orçamento, porque precisaria recapear tudo, então tem matéria nisso. Agora, dentro do que é formal e legal, o que eu puder dificultar a vida da Roberta [Roberta Giacomoni, produtora da TV Globo] eu vou botar pra dificultar, sendo muito franco”.

Tavares ainda afirmou que havia memorizado um ranking dos jornalistas que mais pediam informações. “Ela [Roberta Giacomoni, jornalista da TV Globo] é hoje, junto com o Toledo [quem mais pede informações pela lei]… acho que ela já passou o Toledo. Eu tenho um ‘ranquezinho’ mental aqui dos caras, dos jornalistas que pedem. Ela, o William Cardoso e o Luiz Fernando Toledo, do Estadão, são os caras que mais pedem. O Toledo pede da Cultura à Smads [Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social], cara. A Roberta também, porque eles pedem esse trem e fazem uma produção”, afirmou Tavares.

A preocupação da gestão Doria com a divulgação de dados se dá por ela estar sendo continuamente reprovada pela população de São Paulo em matérias como a operação tapa-buracos, saúde e fiscalização. Por isso, a divulgação desses dados são extremamente sensíveis do ponto de vista político para João Dória.

Em nota, a Secretaria de Comunicação da Prefeitura tentou negar irregularidades e encobrir o malfeito, afirmando que o chefe de gabinete Lucas Tavares não agiu com dolo, porque “ele adotava como critério a defesa da transparência”. Essa afirmação não é apenas contraditória em relação à realidade provada com o áudio divulgado. É um desrespeito imenso à população paulistana. É um desrespeito porque subestima a inteligência dos paulistanos.

O ocorrido mostra claramente o “modus operandi” da direita golpista. Com um projeto político que visa beneficiar apenas um seleto e minoritário setor da burguesia, a direita foi derrotada em quatro eleições. Ao se ver incapaz de aprovar seu projeto político – que visa acabar com direitos sociais (especialmente direitos trabalhistas e previdenciários) e entregar o patrimônio público nacional ao grande capital estrangeiro – a direita toma o poder através de um golpe de Estado. Para tentar buscar o apoio popular, tenta esconder a verdade e divulgar mentiras através da grande imprensa. Esse modo de agir da burguesia já é histórico. Sempre foi assim.

Essa informação só veio ao conhecimento público porque existe uma briga política dentro da direita golpista. Doria se voltou contra o padrinho Alckmin e tentou lançar candidatura própria à Presidência da República. Essa conduta de Doria foi inadmissível para esses setores da direita que, agora, divulgam várias denúncias contra o prefeito tucano. Não é possível saber extamente como se dá a luta interna nem quais os setores diretamente envolvidos, mas o fato é que Doria começa a ser isolado pelos setores mais importantes dos donos do golpe.

Outra justificativa para essa informação vir a público está em que a Gestão Doria, através do áudio, mostra que não dá espaço nenhum para a liberdade de expressão jornalística. Por isso é que a imprensa golpista – que outrora o defendia com unhas e dentes – agora reclama e o denuncia. Desta forma, o ambicioso vôo político de Dória foi bem mais curto do que ele imaginava. Nem mesmo o PSDB o quer mais.

O espaço para a direita e para políticos como Doria foi criado a partir do golpe de Estado de 2016 e do apoio da grande imprensa golpista. Por essa razão, é fundamental para a classe trabalhadora alcançar consciência de classe para que vote e atue de acordo com os interesses da classe trabalhadora.

O principal interesse que deve mover a classe trabalhadora, diante da ameaça atual e iminente a todos os seus direitos sociais, trabalhistas, previdenciários e cidadãos, é o de lutar contra o golpe de Estado de 2016. Só a derrota do golpe é que é capaz de devolver os direitos aos trabalhadores, permitir a retomada do pleno emprego e retirar o Brasil da crise.

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