Alianças com a direita golpista: “virando a página do golpe” 2?

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Alianças com a direita golpista: "Virando a página do golpe" 2?

Já faz algum tempo, o ex-líder do governo Dilma Rousseff, no Senado Federal, o senador petista Humberto Costa, defendeu em entrevista nas páginas amarelas da Revista Veja – um dos principais órgãos da imprensa golpista –  que era “preciso se adaptar. Não adianta mais ficar apenas no discurso de denúncia do golpe”.

Com esta e outras afirmações, o petista – bem como outros dirigentes do PT e da esquerda – indicava uma clara tendência rendição aos golpistas, a qual se expressou também numa clara tentativa de acordo com setores responsáveis pela derrubada da presidenta, em 2016, como ficou expresso no apoio do PCdoB e do PT, à eleição do golpista e deputado do DEM, Rodrigo Maia, para a presidência da Câmara dos Deputados e, consequentemente para a “vice-presidência” da República.

Esta política foi amplamente repudiada pelas bases do PT, da mesma forma que ficou evidente que não encontra apoio entre os trabalhadores e suas organizações que expressam o repúdio aos golpistas, rejeitam profundamente o atual governo – como indica a rejeição a Temer por 97% da população, nas pesquisas – e os partidos golpistas.

Ao mesmo tempo cresce o apoio à luta contra o golpe, como sinaliza o apoio à campanha pela anulação do impeachment e o desejo – também apontado nas pesquisas da própria burguesia – de mais de 60% da população do retorno da presidenta eleita.

Mesmo nestas condições, dirigentes do PT, parecem querem insistir na política de “virar a página do golpe” e perdoar os golpistas e seus ataques contra o povo brasileiro.

Este parece ser o caso do ex-prefeito de São Bernardo Luiz Marinho, ex-ministro do Trabalho e da Previdência e pré-candidato ao governo de São Paulo, que afirmou em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, “que o PT tem de rever, para as eleições de 2018, a proibição de alianças com os partidos que apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff”. Isso a pretexto de “recuperar a maioria do povo brasileiro” , como se este apoiasse os golpistas e sus partidos.

Procurando defender a mesma política reacionária de alianças que levou partido a se aliar e “tirar do túmulo” partidos e elementos amplamente repudiados pela maioria da população que, depois, apoiaram a derrubada do governo petista, como Temer, Sarney e Cia., Marinho declara, agora, se trata “de ganhar a eleição”, no mais autêntico “vale-tudo” eleitoral típico da política burguesa. Para Marinho, o “PT deve permitir aliança com partidos que apoiaram o “golpe”.

Além dessa aproximação com a direita, Marinho, como acontece com a maioria da esquerda, fecha os olhos para as ameaças crescentes de pisão de Lula e para as declarações dos generais de que estão preparando um golpe militar e propaga a ilusão de que tudo está tranquilo e que as chances da presença de Lula como candidato nas eleições seria de “noventa e nove ponto nove por cento”.

Essa política de acomodação com os golpistas, mais uma vez, é apresentada  como uma posição de realismo político e de pragmatismo necessário para garantir possíveis vitórias eleições que sequer estão asseguradas, justamente pelo golpe dado com apoio daqueles que o ex-prefeito quer como aliados.

A política de Marinho e de outros setores da esquerda está na contramão da realidade.

Avança a crise do golpe, diante da falência do governo Temer. Cresce a crise dos partidos golpistas, cujos aliados no golpe,  perderam as últimas quatro eleições presidenciais, o que aponta para uma tendência a um maior endurecimento do sistema, e não de reconstrução de uma nova etapa pacifica de conciliação de classe. Isso porque a direita não deu o golpe, para pouco tempo depois organizar eleições relativamente democráticas e permitir uma nova vitória da esquerda.

O verdadeiro sentido do golpe é a necessidade de governos autoritários para a implementação de um programa de maior ataque aos trabalhadores. Não é mais possível um acordo nos marcos do período anterior, não existe margem para governos com políticas contraditórias ‘reformistas fracas”, por isso o ataque sistemático ao PT e ao ex-presidente Lula.

A política de rendição e aliança com os golpistas, defendida por Luíz Marinho, deve ser denunciada e amplamente repudiada pelos  trabalhadores e suas organizações.

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