A repressão militar só será derrotada pela força

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No centenário da Revolução Russa, é possível tirar pelo menos uma conclusão daqueles vitoriosos acontecimentos. Para esta coluna, uma conclusão é especial, a de que a burguesia só entrega o poder através da força, e a repressão do Estado só pode ser combatida da mesma maneira. É o que nos ensina o marxismo, os bolcheviques e a Revolução.

É uma discussão que tem sua importância diante das últimas propostas da esquerda pequeno-burguesa, diante da repressão e diante do golpe de Estado. Sejam elas a entrega de flores para os brucutus da PM, curso de direitos humanos para policiais ou a própria “desmilitarização da corporação”. Em qualquer hipótese, está descartada a organização e luta do negro, que tende a assumir um caráter violento.

Desde 2013, quando o país foi tomado por uma onda de manifestações, a discussão da violência e seu uso para resistir à repressão foi colocada na ordem do dia. Os black blocs organizaram defesas contra a repressão policial, e, por conta disso, foram atacados pela própria esquerda “sem violência”, como foi o caso do PSTU.

Recentemente foi debatido, também, o direito ao armamento do povo, defendido pelo Partido da Causa Operária, mas atacado por um amplo setor da esquerda e do próprio movimento negro, que leva adiante uma causa de um povo que é o alvo principal da violência, oficial ou não.

O problema da repressão policial gira tão somente em torno do uso da força, da violência, de quem a tem e pode exercer sobre o adversário. Os órgãos de repressão são todos bem equipados nesse quesito, ao contrário dos trabalhadores, dos negros.

Se o debate democrático resolvessem os problemas da sociedade, a burguesia dispensaria seu braço armado. A existência dessas organizações de repressão, como a PM, a Polícia Federal, etc. revela que o regime só se sustenta porque está disposto a mandar chumbo na população, e tem os meios para isso.

Esse problema, e o próprio golpe de Estado colocam a necessidade da organização de pólos de resistência, que, com o desenvolver da luta, precisariam estar preparados para resistir à repressão, à altura, seja da repressão oficial, seja da extrema-direita. E este é o único meio de impor alguma derrota ao golpe de Estado.

Quando os trabalhadores organizam uma manifestação, fecham fábricas e avenidas, estão fazendo uma demonstração de sua força, que precisa ser organizada para, por exemplo, neste momento, lutar contra o golpe. O mesmo vale para os negros, especialmente diante da ameaça de golpe militar.

Esses pólos começam a se organizar em todo país, são os comitês de luta contra o golpe de Estado, que estão desenvolvendo uma série de atividades nesse sentido. Quer dizer, os meios estão aí, se desenvolvendo, mas somente com ampla participação do negro (que é maioria nos trabalhadores) será possível desenvolver às últimas consequência a luta contra a direita golpista e seus aparatos de repressão.

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