Golpe na Arábia Saudita modifica equilíbrio de poder no país

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Golpe na Arábia Saudita modifica equilíbrio de poder no país

Durante o fim de semana, um golpe palaciano foi consumado na Arábia Saudita. O príncipe Mohammed bin Salman, o jovem governante de 32 anos, criou uma “comissão anticorrupção” que, horas depois de criada, levou à prisão de diversos príncipes, incluindo ministros e ex-ministros. A “corrupção”, mais uma vez, serviu de pretexto para um golpe. A manobra de Mohammed bin Salman encerra décadas de um sistema de poder compartilhado entre famílias de descendentes do rei fundador da Arábia Saudita, Abdulaziz Al Saud. Com o golpe dado no fim de semana, Mohammed bin Salman concentrou o poder em suas mãos encerrando o período de governo pelo “consenso”.

Não há informações sobre os reais motivos do golpe. Tudo indica que as reformas de bin Salman e seu poder pessoal estavam ameaçados. O atual governante anunciou e está implementando uma série de reformas políticas e econômicas no país. Enquanto reforça seu poder político e adota uma postura mais agressiva na repressão política e na política externa, o príncipe implementa medidas liberais em relação aos costumes, permitindo que as mulheres dirijam, o que é proibido há décadas no país, e declarando que é preciso combater o radicalismo islâmico.

No campo econômico, Mohammed bin Salman tem um programa de diversificação da economia saudita, historicamente dependente apenas do petróleo. Seu plano envolve industrializar o país, criar um polo de desenvolvimento no campo da informática, aumentar a renda vinda de setores não petrolíferos para US$ 1 trilhão por ano, criar uma política de 75% de conteúdo nacional para a exploração do petróleo, além de medidas para ampliar o turismo. Reformas que visam modernizar o país que sempre foi um pilar da dominação imperialista no Oriente Médio.

As consequências para o imperialismo do golpe palaciano na Arábia Saudita não estão claras. A atitude agressiva do governo saudita em relação ao Irã indicam um alinhamento mais próximo com a política de Donald Trump do que com a política dos setores mais poderosos do imperialismo norte-americano. No Iêmen, os sauditas intensificaram a guerra contra as milícias xiitas Houthis. No Líbano, a renúncia do primeiro-ministro Saad Hariri, ligado aos sauditas, coloca o país em crise em uma ofensiva contra o Hezbollah, grupo que compunha o governo de coalizão e é ligado ao Irã.

Para continuar levando suas políticas adiante, com reformas econômicas e políticas e com uma atitude mais agressiva na política externa, o príncipe Mohammed bin Salman tem agora muito mais poder concentrado em suas mãos, controlando o Ministério do Interior, as Forças Armadas e a Guarda Nacional, forças repressivas que antes estavam distribuídas entre outros ramos da família real. Uma mudança drástica no equilíbrio de poder que sempre vigorou no país.

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