Movimento negro repudia declaração de ministra golpista

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Movimento negro repudia declaração de ministra

A ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, mostrou, em recente declaração, que o governo golpista de Michel Temer e seus ministérios, além de ocuparem o poder sem voto, também o fazem sem qualquer preocupação com a postura de uma presidência, demonstrando completo desprezo pela povo.

Em entrevista à Rádio Gaúcha, Luislinda afirmou que deveria ter o direito de receber seus vencimentos em dobro, como desembargadora aposentada e como ministra – o que é inconstitucional. Segundo ela, com o salário de R$ 31 mil por mês “é difícil se vestir, se alimentar, calçar e ir ao salão de beleza”. Sustentou, ainda, que trabalhar em Brasília sem uma remuneração à altura seria como trabalho escravo.

As declarações da ministra ofenderam o movimento negro nacional, que repudiou a declaração. Em nota, o movimento Articulação Nacional do Movimento Negro Brasileiro afirmou que “reivindicar privilégios e participar de um governo que quer acabar com os direitos trabalhistas, com o combate ao trabalho escravo e as políticas de inclusão racial, além de silenciar frente ao racismo religioso e as demais violências sofridas pelos povos de terreiros e comunidades quilombolas em todo o país, é um contra-senso”

A repercussão negativa fez a ministra desistir da pretensão de acumular os vencimentos.

As declarações de Luislinda são indicativas do descalabro em que chafurda não apenas o governo golpista, como o próprio golpe. A burguesia sabe que perdeu o controle nos cenários político, social e econômico. Para manter a exploração sobre a classe trabalhadora, terá de se impor não pelo voto, que já não possui. Nem pelo golpe, que já não sustenta. Mas pela força, através de um golpe militar – cujo planejamento já foi anunciado por elementos da cúpula das Forças Armadas.

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