Mulheres: a exploração que acabou em um mês com a Revolução Russa, sobrevive há mais de 200 anos de capitalismo

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Mulheres: a exploração que acabou em um mês com a Revolução Russa, sobrevive a mais de 200 anos de capitalismo

De acordo com pesquisa realizada pelo Fórum Econômico Mundial neste ano, com dados agora revelados, a distância econômica e social entre mulheres e homens cresceu 58%.

A pesquisa diz ainda que as mulheres terão de esperar 217 anos para alcançar a mesma renda dos homens e que até o ano passado elas levariam 170 anos, ou seja, em um ano a avaliação detectou que aumentou em quase 30% o tempo para uma suposta igualdade.

Somente esse dado mostra que na prática se não houver uma luta concreta das mulheres, sua exploração nos estados capitalistas só tende a aumentar e nunca se chegará a uma igualdade jurídica.

Os dados acima comparados aos direitos conquistados pelas mulheres em Repúblicas socialistas como a URSS e Cuba mostram que a única luta possível de igualar mulheres e homens é a luta pela revolução socialista. As lições da Revolução Russa no que diz respeito à questão feminina continuam plenamente válidas e, sem dúvida, serve-nos para encararmos o problema na nossa luta atual.

Os Bolcheviques resumiram em três palavras todo o programa revolucionário: “Paz, Pão e Terra”. Em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial imperialista, milhares de homens eram obrigatoriamente alistados nas filas do exército czarista, a maioria deles, como sempre, provenientes dos setores explorados do povo. Esta situação levou milhões de mulheres a virarem trabalhadoras, no setor agrícola chegou a 72% e nas indústrias 50% da força de trabalho em 1917.

As miseráveis condições de vida sob o czarismo se aprofundaram com a guerra causando uma verdadeira escassez de alimentos e forçando as mulheres a suprirem o trabalho dos homens. Condenadas a jornadas de 10 a 12 horas nas fábricas somava-se o fato de não terem como alimentar os seus filhos, vendo muitos deles morrerem sem, sequer, chegar ao primeiro ano de idade. Por isso, elas foram as primeiras a exigir o fim da guerra e o pão para os seus filhos. Estas duas primeiras palavras de ordem dos bolcheviques – “Pão e Paz” – foram tomadas pelas mulheres trabalhadoras e forjadas nas longas filas das padarias.

As mulheres eram o setor mais oprimido do proletariado e assim se transformaram no mais sensível – iniciaram a revolução com uma greve nas fábricas têxteis de Petrogrado, precisamente no Dia da Mulher, à qual se juntaram os metalúrgicos gritando “PÃO”. Os trabalhadores organizados nos Sovietes (Conselhos) estenderam os protestos a todo o país. Poucos dias depois, o Czar abdicou e foi substituído por um Governo Provisório liderado pela burguesia. As mulheres também desempenharam um papel importante para ganhar os soldados para a revolução, já que muitos deles eram seus maridos.

Não é por acaso que isso aconteceu, pois as mulheres trabalhadoras, educadas na submissão e obediência, transformam-nas em rebelião aberta quando, em épocas turbulentas, o sofrimento as leva ao limite. As mulheres operárias começaram a revolução em fevereiro.

Não foi um movimento das mulheres em geral, foi um movimento das mulheres camponesas e operárias, as burguesas estavam do outro lado. Em outubro finalmente começava a libertação, materializada nas palavras de ordem dos  bolcheviques: “todo o poder aos sovietes!” A organização de Conselhos de operários, camponeses pobres e soldados, expressão democrática das massas mobilizadas, dirigidas pelo Partido Bolchevique, começam imediatamente a exercer o poder, promulgando as primeiras diretrizes do novo governo para resolver os problemas mais básicos que haviam levado à insurreição: o fim da guerra, o confisco dos alimentos nas mãos de proprietários privados atravessadores e especuladores, a distribuição de terras aos agricultores pobres, a restituição da liberdade de imprensa e de expressão, todas orientações destinadas a implementar o programa de Paz, Pão e Terra.

Estas primeiras medidas não estavam ausentes das preocupações das mulheres operárias e camponesas. Pelo contrário, significavam começar a resolver os seus sofrimentos mais imediatos: pão para os seus filhos, regresso dos seus maridos (os que sobreviveram) da frente de batalha e terra para os camponeses pobres. Com isso se dava o primeiro passo na revolução, fazendo vencer a vontade das mulheres operárias e camponesas, que já faziam parte ativa dos sovietes.

Em dezembro do mesmo ano, pouco mais de um mês depois da tomada do poder, o governo soviético aprovou uma série de leis destinadas a colocarem em primeiro plano os problemas específicos das mulheres. Entre eles estavam um decreto para oficializar o casamento civil e o casamento religioso, que deixaram de ser obrigatórios; a família tradicional foi logo considerada um vestígio do passado, para liberar as mulheres, foram abertas creches e lavanderias em todo o país; em 1917, a Rússia “se antecipou à toda a Europa e aos Estados Unidos ao conceder às mulheres direito ao voto”, e ainda foi implementado o direito ao divórcio, com uma simples canetada.

Muitos destes direitos foram retirados ou limitados com o stalinismo. Mas fica assim demonstrado, que a única saída para a igualdade das mulheres trabalhadoras e até para as mulheres de classe média e burguesa é a luta pela revolução.

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