Novas formas?

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Novas formas?

O golpe de estado e a ameaça do golpe militar ainda não colocou a esquerda pequeno-burguesa em uma luta de acordo com este grave problema. Pelo contrário, a um ano das eleições (que podem nem ocorrer), a demagogia está a todo vapor, especialmente com relação ao negro e sua luta.

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A “novidade” agora é o “Vamos de Preto!”, conforme um texto publicado no site da Carta Capital. Segundo este texto, “é uma iniciativa ousada que busca congregar negras e negros, de forma suprapartidária e apartidária, para afirmar que vamos continuar lutando, mas que nossa pauta agora deve ter protagonismo e urgência”.

A demagogia começa ai. Não existe, nessa quase-organização, um caráter “apartidário”, pois o próprio texto assevera: “O ‘Vamos de Preto!’ é uma iniciativa do Núcleo de Negras e Negros do mandato do deputado estadual Edilson Silva (PSOL/PE), para interagir com a plataforma política do “VAMOS!” e da Frente Povo Sem Medo”. Ou seja, PSOL, Vamos e Frente Povo Sem Medo.

O Vamos, por exemplo, foi inspirado no Podemos, partido que se colocou contra a independência da Catalunha, na Espanha. Revelando que não possui nem mesmo um programa democrático. Mas não é só. O texto, mesmo diante desse reconhecimento explícito de uma velha política, diz que: “O Brasil e o mundo vivem um momento de redefinição política. Crise de paradigmas, de caminhos. Fundamentalismos afloram. Velhos preconceitos saem do armário. As velhas formas das esquerdas já não nos representam”. Primeiro que não é “crise de paradigma”, uma frase saída de algum professor universitário. É golpe de Estado. Segundo que os “fundamentalismos” é uma palavra para maquiar a dura realidade: a direita está no governo, a extrema direita está nas ruas. Por fim, e não menos grave, é a afirmação de que “as velhas formas das esquerdas não nos representam”.

Ora, o texto é um chamado à adesão ao programa do PSOL e do Vamos; o primeiro já não dá para dizer que é nem reformista. O segundo é um novo “nome fantasia” do primeiro, com mais “paradigmas”, digamos assim. Alguém precisaria apresentar qual é a “nova” forma de organização do Vamos de Preto. Ou seja, na verdade, é a velhíssima esquerda pequeno-burguesa e seus velhos métodos eleitorais, sendo o principal, esconder o partido (PSOL, no caso) e se apresentar como “apartidário”, “autônomo”, “horizontal”, quer dizer, uma demagogia barata. E qual seria o programa de luta do negro apresentado pelo “Vamos de Preto”? Segundo o texto: “a pauta agora deve ter protagonismo e urgência; que não aceitamos mais que o genocídio do Povo Negro faça parte da paisagem social deste país”. São palavras bonitas, cunhadas pela esquerda acadêmica que sequer viu o golpe de Estado.

Palavras que não apontam nenhuma “nova” saída. Nenhuma “nova” alternativa, mas a velha demagogia eleitoral. O negro não precisa de mais demagogia. O negro precisa de um instrumento de luta para pôr abaixo o regime de repressão capitalista, aprofundado pelo golpe de Estado. Esse instrumento, no atual estágio, são os comitês de luta contra o golpe, que, para o negro, assumiria um caráter de autodefesa diante dos ataques da extrema-direita. Isso de imediato. Por outro lado, a questão do poder foi abandonada pela esquerda pequeno-burguesa, por isso eles se apresentam com palavras bonitas sem sentido, como “paradigmas”, “protagonismo”, etc.

O negro e todo povo explorado necessita de um partido revolucionário, que não fique se escondendo, cedendo à pressão da direita coxinha “apartidária”, mas que se apresente como tal, que organize a luta do negro e do povo trabalhador, no dia a dia, contra os ataques do regime e por seus direitos democráticos, que organize, enfim, a luta pela tomada do poder.

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