Racismo institucionalizado: bailarino negro é amarrado e sedado

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Racismo institucionalizado

No último sábado, dia 28, um bailarino foi preso e detido pela Guarda Metropolitana e por integrantes de uma equipe do SAMU sob a alegação de estar sofrendo de um surto psicótico, enquanto fazia uma performance em uma praça em Caxias do Sul (RS).

Rascunho automático 67

O bailarino Igor Cavalcante Medina, que fazia parte da companhia municipal de dança, ficou responsável por criar uma performance para apresentar ao ar livre, quando foi abordado pela Guarda Metropolitana e por integrantes do SAMU. Igor por várias vezes alegou que tinha uma autorização por escrito para fazer a performance com um arame farpado envolto em seu corpo, mas ele não foi ouvido. Foi amarrado em uma maca por volta das 11h30 e só foi liberado às 19h30, quando uma médica psiquiatra o liberou alegando que ele estava lúcido.

Esse é só mais um exemplo pelo qual passa a população negra todos os dias e em qualquer circunstância. Igor é um bailarino negro, que fazia uma performance que foi confundida com um delírio de uma pessoa doente mental, que ele não é.

Isso acontece porque é comum vermos negros na situação de morador de rua, muitos deles doentes mentais, e sempre sendo alvo de ações truculentas, constrangimento público, prisões ilegais e arbitrárias e, quando não, execução sumária. Na realidade, a justificativa da doença mental só serve para esconder o real motivo, que é a perseguição e censura da peça, como vem acontecendo em vários casos pelo País.

Mais de 300 anos de escravidão, um sistema político e social montado para excluir, marginalizar e massacrar a população negra levam, inclusive, a Guarda Metropolitana a participar do genocídio da população negra no Brasil e no mundo. Alias, era exatamente esse o tema, não por coincidência, da performance de Igor Cavalcante Medina: denunciar o genocídio da população negra no Brasil e no mundo. É no mínimo revoltante.

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