Fora militares dos estádios!

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O golpe de Estado afetou todas as esferas políticas e sociais do regime, e o futebol, bem como outros esportes, também está sofrendo os efeitos do golpe.

Mas nem todo mundo está sofrendo calado. Neto, ex-jogador do Corinthians, famoso por suas posições, disse, em rede aberta que: “O Clayson deu um tapinha no polícia, aí o polícia, deu outro tapinha. Aí levaram todo mundo pra lá. Porra, vocês dão de AR-15 em uma espanhola e mata e querem fazer uma palhaçada dessas aí. Isso é vergonhoso para vocês todos. Isso que eu estou falando é verdade. E o cara revidou, né. Polícia não tem que revidar, tem que apaziguar. Tem que dar segurança. Que segurança vocês dão pro povo do Rio de Janeiro? Agora fazer uma palhaçada que vocês fizeram ontem com o menino do Corinthians, com quem quer que seja. Mas e os cara da Rocinha, que sai bala pra todos os lados? Ah, vai aparecer na casa do chapéu seus otários”.

A declaração de Neto foi resultado da prisão de Clayson, jogador do Corinthians, que, em partida disputada contra o Botafogo, pelo Campeonato Brasileiro, dia 23/10, se envolveu em uma pequena confusão no meio de campo, ao final da partida. O jogador foi acusado de agredir um policial. O caso da turista, de que trata Neto, aconteceu, também, no dia 23. O carro em que transitava a turista não teria parado em uma blitz da PM, no Rio de Janeiro, no que foi perfurado por balas disparadas pelos policiais.

A PM carioca lançou uma nota oficial sobre as declarações do ex-jogador, e diz, entre outros, que “o comentarista cometeu um desrespeito inaceitável à Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, uma Corporação bicentenária que ostenta uma vitoriosa história, defendendo e servindo à população do nosso estado. E também ao GEPE, que faz parte dessa história e se transformou numa referência nacional por seu trabalho em segurança de estádios. Além de registrar repúdio às declarações proferidas pelo comentarista esportivo da Band, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro tomará as devidas ações legais. A nossa Corporação defende intransigentemente a liberdade de imprensa e de expressão, mas dentro dos limites do respeito à dignidade humana e das instituições”.

A PM deixou claro que não aceita crítica nem mesmo às suas maiores arbitrariedades. E que, para ela, prender injustamente uma pessoa ou atirar em qualquer um, se trata de “uma história vitoriosa”,de serviços à população.

Tanto fora quanto dentro dos estádios de futebol. Todo um aparato repressivo está sendo mobilizado a cada jogo, e o caso de Clayson revela que, na verdade, qualquer um pode ser preso, sem o menor motivo, inclusive jogadores de futebol famosos.

Essa tendência ao aumento da repressão é resultado do golpe de Estado. Os estádios, concentrações de milhares de pessoas, se mostram como um perigo para o regime. É daí que partiram os ataques às torcidas organizadas. Também por isso estão tentando transformar os estádios em quadras de tênis (arenas) e os jogadores em “santos”, pessoas que não podem falar nada, não podem se expressar, não podem reagir diante de uma agressão injusta, sob pena de prisão.

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