Haverá verdadeiras eleições em 2018?

Compartilhar:
O imperialismo não pode deixar que ocorram verdadeiras eleições em 2018

Está escrito nas entrelinhas, em todos os jornais, que se as eleições representarem minimamente a vontade do povo brasileiro, o PSDB, cavaleiro da política entreguista, será brutalmente esmagado. Também seus associados, Marina Silva e Ciro Gomes, não teriam muito sucesso. Bolsonaro mostrou que é mais um político tradicional, desesperado para ser eleito e desesperado por não ter os votos.

Estabelecido que eleições livres e democráticas seriam uma derrota não só dos múltiplos candidatos da direita, mas de tudo que a direita fez em um ano de golpe, as chamadas “reformas”, as PECs, a entrega do pré-sal, dentro do caráter golpista e manipulador dessas ações, vislumbra-se que  a direita não pode sob circunstância alguma aceitar uma derrota deste tamanho e que está planejando uma reviravolta.

Os trabalhadores, se pararem a locomotiva do golpe, erguerão em seu lugar uma locomotiva própria, a contrarrevolução, mas se derrotada, necessariamente, dará lugar a uma tendência revolucionária.

Tendo colocado estas duas afirmações lada a lado, a primeira sendo que eleições verdadeiras levam a uma vitória da esquerda, e que o imperialismo não pode aceitar esta vitória, podemos concluir que o que espera o povo brasileiro, em 2018, não são eleições verdadeiras, caso ocorram.

A burguesia golpista lida com a situação política por múltiplos ângulos. Por um lado prepara uma fraude eleitoral, que é a tentativa de prender Lula, maior representante eleitoral da esquerda, e o candidato que canaliza eleitoralmente a luta contra o golpe. Por outro lado, no entanto, vê-se que a tensão no País chegou num tamanho, que, se Lula não for candidato, ou perder, que é um cenário apenas concebível neste momento, por meio de uma imensa manobra fraudulenta, o resultado seria pífio, e o presidente eleito teria igual ou menor autoridade que o déspota, Michel Temer. E isso coloca em xeque as próprias eleições, se verdadeiras ou não.

É neste cenário de crise, em que a burguesia imperialista faz lances arriscados, que entram em cena os guardiões da ordem capitalista, a organização mais reacionária dos nossos tempos, as Forças Armadas.

O General Hammilton Mourão deu aos brasileiros um ultimato, que mais parece uma declaração de intenções, ao dizer que, ou afastam da vida pública os envolvidos em corrupção, ou as forças armadas irão intervir.

Longe de ser uma voz isolada, a declaração foi precedida de uma reunião do alto comando, que discutia justamente isso, e foi defendida por uma série de generais do Exército, incluindo o comandante da Força, o General Villas Boas.

Este é o cenário, a direita ameaça um novo golpe, só que desta vez muito mais bruto, justamente pelo medo e pela falta de saída na situação.

O destino da política brasileira, neste momento, pode caminhar tanto para um lado como para o outro, e depende em grande medida da atuação dos trabalhadores nesta crise.

artigo Anterior

A luta contra o antissemitismo no futebol italiano

Próximo artigo

O roubo do século

Leia mais

Deixe uma resposta