Morenistas do PSTU/UST criticam direita venezuelana por pouco golpismo e abandono do “Fora Maduro”

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Os morenistas do PSTU e sua “internacional” LIT não  cansam de nos surpreender, depois de acreditarmos que já tínhamos visto tudo de mais estranho e bizarro em matéria de adoção de posições direitistas e pró-imperialista( apoio aos golpes no Egito, Ucrânia e Brasil), agora através das posições da Unidade Socialista dos Trabalhadores (UST) na Venezuela, somos contemplados com um espetáculo repugnante: Os morenistas criticam duramente a direita venezuelana por não continuaram com o “foco” na derrubada do governo Maduro.
A resistência do povo venezuelano e a recusa do governo Maduro em ceder as chantagens da oposição de direita Mesa de la Unidade Democrática (MUD) e do imperialismo evitaram que fosse consumado na Venezuela mais um golpe de Estado na América Latina.
A bem verdade, ainda não podemos afirmar que recuo das manifestações golpistas e a vitória esmagadora do PSUV, partido chavista, nas eleições para governadores das províncias, no último dia 15 de outubro, representam o fim da ameaça golpista, mas sinaliza um amplo apoio popular ao governo Maduro e o enfraquecimento das forças golpistas apoiadas pelo imperialismo norte-americano neste momento.
As eleições democráticas tiveram a grande participação popular, com mais 63 % de comparecimento eleitoral, sendo que o voto não é obrigatório na Venezuela. A despeito de toda coação do imperialismo e da intensa campanha contrária pela imprensa burguesa, os resultados eleitorais foram extremamente favoráveis ao governo Maduro, que venceu em 18 estados, perdendo em apenas cinco estados para candidatos da oposição golpista.

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Após serem proclamados os resultados eleitorais, para assumir os cargos, os governadores eleitos precisaram fazer um juramento perante à Assembleia Constituinte Nacional, que está elaborando a nova constituição venezuelana. Esse processo abriu uma profunda divisão na coalizão de direita MUD, uma vez que quatro dos governadores eleitos prestaram o juramento, enquanto apenas o governador eleito do Estado de Zuli, Juan Pablo Guanipa, recusou-se a submeter ao Estado de direito democrático na Venezuela.
Essa situação abriu uma crise no interior das próprias forças golpistas, uma vez que setores da MUD se colocaram na defensiva diante do respaldo popular ao chavismo na Venezuela. Entretanto, a adoção (ainda que forçado pelas circunstâncias) da diminuição do ímpeto golpista imediato não é a posição unanime entre os golpistas, pois setores mais reacionários e diretamente ligados aos EUA são favoráveis a derrubada do governo Maduro de qualquer maneira. Essa é posição de Henrique Caprilles, ex-candidato à presidência da Venezuela, que ameaça inclusive sair da MUD e criar um novo partido.
Entretanto, é importante que se diga, que Henrique Caprilles não está só, ou melhor tem agrupamentos que são capazes de serem ainda mais intransigentes na defesa de uma política abertamente golpista e pró- imperialista no “ movimento de oposição” venezuelana. Curiosamente, um setor que tem um posicionamento mais à direita do que os setores mais direitistas da MUD é uma minúscula seita morenista, a Unidade Socialista dos Trabalhadores (UST), ligada ao PSTU.
Assim, disputando o nada honroso titulo de ser o mais capacho entre os capachos do imperialismo, os ultraesquerdistas no seu balanço das eleições na Venezuela acusam os setores da oposição de direita a (MUD) de terem capitulado para o chavismo, na medida em que aceitaram as “regras de jogo anti-democraticas” da “ditadura venezuelana” e abandonaram a luta não constitucional pela derrubada do governo Maduro. “A MUD traiu a luta na rua”, lamentam os morenistas.
Na matéria “Frente aos resultados das eleições de 15 de outubro na Venezuela“, assinada pela UST, publicada no site do PSTU, critica-se a direita por ter abandonado as suas palavras de ordem abertamente golpistas como o “Fora Maduro”: “quando as massas radicalizadas estavam dispostos a derrubar Maduro, a MUD tirou o “Fora Maduro” de seu sistema de palavras de ordem, e desmobilizou e desmoralizou as massas, tornando possível a instalação da ANC fraudulenta e estas eleições antidemocráticas, pelas quais pretendiam obter um pedaço do poder.”(do site do PSTU)
Assim, o fracasso na Venezuela, do recurso fraudulento das “ massas nas ruas”, usada pela direita e pelo imperialismo no Egito, na Ucrânia e no Brasil para derrubar governos eleitos e justificar golpes de estado levou ao completo desespero os papagaios da direita como o UST/PSTU. Assim, os “esquerdistas” criticam a direita por não ter levado o golpe até o fim.

Fundamentalmente os morenistas reivindicam que a direita precisa ser mais pró-imperialista, e que “traíram as ruas” , pois perderam a oportunidade de derrubar a “ditadura chavista”, além disso, a MUD não deveriam ter “desmobilizado” nem “desmoralizado” as massas e aceitado as regras constitucionais da ANC, pois seriam “fraudulentas” e as “eleições antidemocráticas”. Os morenistas criticam os golpistas de não serem suficientemente golpistas.
Para UST/PSTU, a direita venezuela ” capitulou ao chavismo”, e não derrubou o governo Maduro, um governo de “assassinos” por mesquinharia eleitoral em “eleições fraudulentas”
“A MUD entregou a luta nas ruas em troca de eleições fraudulentas, deu as costas a mais de cem mortos pelas mãos da repressão do governo e a centenas de presos por exercerem seu direito legítimo de protestar. Hoje paga as consequências da sua política capituladora.” (idem)
Interessante notar que enquanto a própria direita e os analistas ligados a imprensa mundial imperialista são obrigados a reconhecer a esmagadora vitória do governo Maduro nas eleições regionais, os morenistas da LIT indicam que não existe apoio popular nenhum ao chavismo. Apesar de afirmar que “houve uma elevada participação nestas eleições; 61% do colégio eleitoral foi para os centros eleitorais”, delira ao afirmar que  “o chavismo não saiu reforçado”.

Esta “análise” da UST/PSTU é reveladora da completa falta de concretude da politica ultraesquerdista, expressando que a alienação da realidade tem aprofundado o conteúdo cada vez mais direitista do morenismo. Por isso, sustentam que a direita deve radicalizar e derrubar o governo Maduro, mesmo depois da expressiva vitória eleitoral do chavismo.

Um outro aspecto relevante que precisa ser destacado é a total coincidência das posições da  UST/PSTU com as organizações imperialistas e a grande imprensa venal na caracterização do governo Maduro como uma “ditadura”. Para os morenistas e para o imperialismo não houve golpe no Brasil, entretanto o governo eleito que realiza eleições periódicas na Venezuela é acusado de golpista.

“A UST repudia todas essas manobras que compõem um contexto completamente antidemocrático e fraudulento, a favor do governo, que falsificou os resultados das eleições, o que confirma a natureza ditatorial do regime e do governo Maduro.”

Além disso, os morenistas da UST/PSTU defendem que os governadores da direita tenham total autonomia perante  a constituinte, ou seja que a direita possa transformar os governos das províncias em Estados paralelos golpistas dentro do Estado venezuelano, utilizando com bastião para promover a derrubada do governo Maduro.

“Nós também rejeitamos e denunciamos a pretensão de Maduro e de seu governo de que governadores de oposição façam juramento para a ilegítima ANC e não para os parlamentos regionais, uma ordem executiva que, além de falta total de legalidade, é acompanhada de ameaças de que, se não o fizerem, não serão empossados.”

A máxima morenista é não abdicar do golpe jamais. UST/PSTU usa uma linguagem ” esquerdista” para advogar a derrubada de um governo de centro-esquerda, quando somente a direita, apoiada pelo imperialismo norte-americano pode assumir o poder. Os  morenistas usam  demagogicamente as dificuldades impostas pela direita capitalista ao povo da Venezuela para defender um golpe de Estado, que  repito, somente a direita poderia ser beneficiada. O conteúdo da critica morenista à oposição de direita evidência o caráter golpista da esquerda pequeno burguesa, que critica a direita por ” negociar” com o governo Maduro,  e vacilar em não ir para as vias de fato.

“A UST fará todo o esforço para a construção de espaços unitários para promover estas mobilizações, apoiá-las e participar das mesmas com um programa que, a partir das necessidades dos trabalhadores e do povo pobre, proponha-se a derrubar Maduro do governo.”

Na Venezuela, a aloprada política do ” Fora Maduro”  da UST/PSTU levou a esquerda pequeno burguesa para a extrema-direita. Como diz o ditado  são “mais realista do que o rei”,na medida que criticam a direita golpista por não ser mais direita e mais golpista. Então, temos uma situação no mínimo esdrúxula, digna do realismo fantástico latino-americano, os ” revolucionários” ( com aspas)  reivindicam que a direita seja mais contra-revolucionária ( sem aspas). Criticam a direita Venezuela  por respeitam excessivamente a legalidade ” fraudulenta” da ” ditadura” chavista. Os morenistas fazem lobby e exortam   a direita venezuelana para que abandone a ” conciliação ” e   use a força bruta  apoiada ” nas ruas” para derrubar o governo chavista.

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