O ópio das eleições

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O ópio das eleições

Entre a crise institucional que só se agrava no País, em meio ao arquivamento da segunda denúncia contra Michel Temer e em meio às ameaças cada vez mais concretas de um golpe militar e de uma tendência cada vez maior ao estabelecimento de uma ditadura no País, a última coisa que uma esquerda deveria pensar era em eleição.

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O tempo para se ter alguma ilusão democrática já passou há muito. A esquerda pequeno-burguesa, no entanto, prova que a democracia na política é um tipo de droga cujo vício é bem difícil de largar.

O PT é o único partido que pode ganhar uma eleição normal, mais especificamente, Lula. O problema é que em meio ao golpe e a toda a situação cada vez mais complexa politicamente, é impossível saber se haverá eleição, se será adiada, ou se simplesmente a direita terá tal controle que fique impossível vencer no voto. Pior ainda, Lula pode ser condenado, preso e impedido de concorrer.

A única conclusão realista que poderia ser tirada dessa situação política é que mesmo para levar adiante uma política eleitoral consequente será preciso ter uma postura combativa diante da situação. Em suma, sem lutar contra o golpe e todas as implicações do golpe, pensar em eleições não é apenas uma ilusão, mas uma política inconsequente.

Por parte do restante da esquerda pequeno-burguesa, que não tem o lastro eleitoral de Lula e do PT, a eleição é apenas uma droga alucinógena e nada mais. Dos que aparecem com o discurso mais radical, como o PSTU, até o PSOL a política eleitoral é tão profunda que cega a ponto de defenderem a ideia de que o PT está falido e que seria possível a esquerda pequeno burguesa tomar seu lugar.

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