Temer sobrevive à 2ª denúncia: país se mantém num impasse

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Temer sobrevive à 2ª denúncia: país se mantém num impasse

Um governo acima das classes, mantido de pé pela imensa luta política travada por lados opostos, o governo de um “salvador da pátria” para subjugar a revolta social, assim Karl Marx descrevia a ditadura de Napoleão III da França. Este não é o governo de Temer, mas é o que governo de Temer anuncia.

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Nesta quarta-feira (25), o presidente usurpador Michel Temer, com o uso da máquina estatal, usou bilhões de reais em propinas para os grandes capitalistas e suas máfias políticas, e, assim, conseguiu fazer com que seu governo sobrevivesse à segunda denúncia de corrupção. A vitória de Temer, no entanto, não está sendo comemorada por ninguém.

O governo não tem autoridade sobre a população, muito pelo contrário, é odiado completamente pelo povo.  As pesquisas apontam que Temer é o presidente mais impopular do mundo e, de longe, o mais repudiado em todos os tempos  aqui no Brasil. Dentro da classe dominante, a rejeição também é grande. A burguesia está dividida quanto ao governo Temer.

Setores da imprensa e grandes capitalistas ligados ao imperialismo declaram guerra ao governo e a campanha contra Temer apenas ajuda a demolir o governo. São estes mesmos setores que impulsionaram as denúncias contra Temer, mas mesmo a poderosa burguesia não encontra unidade, por vias institucionais, para derrubar o presidente.

Os setores que sustentam o governo, entre eles capitalistas, latifundiários e outros setores, que tradicionalmente estão representados pelo PMDB e pelo PSDB, e em suas sublegendas, têm a maioria no Congresso, como visto nas denúncias contra Temer, mas isso não é o bastante, apenas conseguem manter o governo de pé, por hora, porém, o que se percebe é que este governo não conseguirá prosseguir.

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As duras reformas que este governo tenta impor não encontram unidade para prosseguir: a reforma da Previdência, questão essencial para a política neoliberal, por exemplo, não foi aprovada até agora, e nem vai ser este ano, pela conjuntura dos fatos, mas alguns golpistas já dizem, com ar melancólico, que “meia reforma é melhor que nenhuma reforma”.

Um lado da direita, da burguesia, quer derrubar o governo mas não consegue, a outra luta contra a queda do governo, mas também não consegue dar seguimento a isso sem o apoio necessário.

Diante destas perspectivas, que fazem os trabalhadores? A classe trabalhadora está lutando contra a paralisia, e aos poucos, começa a dar sinais de combatividade. O crescimento da candidatura de Lula é um destes sinais, o povo brasileiro vê nele uma candidatura de luta contra a direita. Porém eles não querem esperar até 2018 para resolver os problemas fundamentais, e isso também causa uma enorme confusão, pois dentre as várias previsões levantadas, muitas apontam para uma única saída: as eleições.

Neste cenário de imensa confusão, um setor golpista da burguesia começa a desenvolver uma política para dar fim ao impasse, pela força. É isto que significa a ameaça do golpe militar, proferida pelos Generais Mourão, Heleno, Chagas e outros oficiais, com aval do alto comando.

A burguesia teme que os trabalhadores resolvam os problemas que causam a atual paralisia e entrem em ação.  As duas greves gerais deste ano apontam neste sentido porque Temer demonstra fraqueza e incentiva essas reações, visto que o governo apodrecido de Michel Temer não pode permanecer, nem para a esquerda e nem para a direita.

A direita já mostrou estar recorrendo ao exército para resolver o problema, e mostrou que confia nas forças mais reacionárias do País para garantir a estabilidade e a força para prender Lula e aplicar as medidas que eles tanto desejam, e que são contra o povo brasileiro.

Por isso, não se pode esperar até outubro de 2018. Até lá teremos 12 meses, que parecerão ser 12 longos anos, pelo ritmo da atual situação política.  A única opção viável é derrubar o governo golpista, cancelar suas reformas e cancelar o golpe, reconhecendo que o regime político está tão podre quanto Temer, e traçar um novo caminho, reconduzindo novamente à seu cargo a presidenta  Dilma Rousseff, eleita legitimamente, e restabelecendo nossa democracia, ambos destituídos pelo golpe de 2016.

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