Golpistas aprofundam o plano de conter o negro à bala

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Apresentei uma coluna ainda na segunda-feira, sobre a redução da maioridade penal, transmitida ao vivo pelo canal no Youtube da Causa Operária TV. Falei, inclusive, que a PM pratica, ela mesma, a redução da maioridade penal em sua rotina macabra.

Por coincidência, no mesmo dia da coluna foi publicado um levantamento da Folha de S. Paulo, dizendo que a PM de São Paulo matou um jovem (menor de 18 anos) por semana no último ano. Aí já se instalou a pena de morte com redução da maioridade penal, instantânea, executada pela Polícia Militar. A PM, cínica e debochada, diz que houve confronto em 100% dos casos.

Outra coincidência é que no dia 16 de outubro, foi sancionada a lei que garante aos militares julgamento por militares em caso de crimes contra a vida de civis.

A medida não passa de uma “licença para matar”, pois possibilita absoluta tranquilidade para os militares assassinarem civis, pois o tribunal militar, como é de conhecimento público, é uma farsa. Se na Justiça Comum a direita já comanda sem qualquer problema, na Justiça Militar a arbitrariedade é ainda maior.

A crise dentro do governo golpista fez com que os militares assumissem o cenário político, seja com manifestações sobre a iminência do golpe militar, seja com a pressão dentro do governo para conseguir “reivindicações” antigas, como esta da legitimidade do tribunal militar para julgar militares que mataram civis. É uma medida que cai como uma luva para um possível intervenção militar que tem como consequência natural o assassinato em massa de civis pelos militares.

O momento é delicado, e a população negra e pobre já começa a sofrer ainda mais os efeitos do aprofundamento da repressão do regime golpista. A esta altura já fecharemos o ano como um dos mais sangrentos para o povo da cidade e do campo. Pela lei ou não, militares, do exército regular ou da PM, estão colocando em marcha o plano da direita: reprimir, matar, conter o negro, de toda maneira possível.

Pode-se ver o ataque de policiais aos bailes funks, às religiões de origem africana, a toda forma de organização do negro; a extrema direita dentro e fora das universidades, o ataque às torcidas organizadas, ao carnaval de rua etc.. O negro organizado é, certamente, um dos elementos fundamentais na resistência ao golpe de Estado, ao golpe militar. Para a direita, o negro organizado é um problema a ser superado, e o golpe está fornecendo os meios para tanto.

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