Vandré e Guevara

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O aniversário de 50 anos do assassinato de Che Guevara obriga-nos a fazer uma reflexão.

Com pouco mais de 30 anos de idade, Che protagonizou junto com Fidel e o Movimento 26 de Julho um feito histórico.

Quatorze anos depois de ter tomado o poder em Havana e conduzido a partir do governo as mudanças que a Revolução produziu, Guevara lançou-se a uma nova ação guerrilheira, no Congo e na Bolívia. Acabou morto por um “soldadito boliviano” em outubro de 1967.

Mesmo que sua política, o foquismo, possa e mereça ser criticada do ponto de vista de quem luta pela revolução proletária, o governo dos trabalhadores e o comunismo, é preciso admitir que se trata, sem dúvida, um de homem de ação, cuja fibra e determinação são capazes de inspirar ainda hoje a juventude e todo aquele que considera a luta pela revolução um bem maior, o objetivo maior de aquele que visa libertar o homem da exploração.

Um herói, portanto.

Quando Che e os cubanos tomaram o poder, o paraibano Geraldo Vandré concluía seu curso de Direito no Rio de Janeiro, com vinte e poucos anos de idade. Militava no movimento estudantil, no Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Sua obra dispensa apresentações. O mesmo público que encontra em Che uma inspiração para ação revolucionária encontrou antes ou encontrará em seguida, na poesia de Vandré e outros, como Carlos Puebla, Victor Jara e Nicolás Guillén, uma expressão da luta revolucionária dos cubanos e dos povos oprimidos da América Latina.

Vandré  renegou há muito a fama de “Che Guevara cantor”. Como Ferreira Gullar, Geraldo Vandré morreu para a revolução muito antes de findar sua existência.

Antes disso, Vandré traduziu o sentimento do seu tempo em uma poesia pouco conhecida, escrita entre a morte de Che e o AI-5, que o forçou ao exílio e levou à sua “morte”. A revolução, por sua vez, segue viva e encontra seu caminho como um rio rasga a dura pedra.

Salva-se algo de Che e Vandré, o melhor de cada um, aquilo que move as pessoas que querem mudar o mundo.

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