PSTU chama classe a trabalhadora a confiar no imperialismo e no grande capital nacional contra o golpe militar

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É isso mesmo que você leu no título, caro leitor. O PSTU, já conhecido pela militância de esquerda por estar mais perdido do que cego em tiroteio nesses tempos de golpe, veio com mais uma de suas teses esdrúxulas. Esta pérola, em especial, se destaca de muitas das loucuras que esse partido tem aprontado no último período pelo altíssimo grau de canalhice e estupidez. Vejamos o caso em detalhes.

Podemos supor pelo título da matéria que deve se tratar de um pronunciamento do PSTU a respeito da movimentação golpista nas Forças Armadas. “Ditadura nunca mais!”. Um título bonito. Algum desavisado poderia ficar empolgado com um título desses. Daí, como cartão de visitas, a matéria nos brinda com este primeiro parágrafo:

“O Brasil vive uma crise econômica, social e política. Sobre isso não há dúvidas. Especialmente a degeneração do regime político e das suas instituições e as revelações da corrupção desenfreada, que parecem não ter fim, provocam uma reação de setores populares. Essa reação é mais evidente na classe média, mas também se dá entre um setor de trabalhadores que anseia por ordem, por um novo ator com pulso forte que ponha fim à bandalheira dos políticos.”

Para o PSTU, o problema fundamental para toda a população brasileira, não só para um setor histérico de classe média, é o problema da corrupção. Não seria o desemprego, os cortes nos programas sociais, o aumento brutal na repressão tanto no campo quanto nas grandes cidades, um pacote de privatizações gigantesco incluindo até a Casa da Moeda, que deixaria FHC morrendo de inveja e os muitos ataques que a população tem recebido por parte do governo golpista e da direita. Todos estariam nesse momento indignados com a roubalheira. Isso por si só já é muito idiota e revela que o PSTU concorda integralmente com a política da grande imprensa capitalista e da direita. Mas o parágrafo vai além, e diz que o que a população quer “ordem, por um novo ator com pulso forte que ponha fim à bandalheira dos políticos.”. Cabe a pergunta. Quem é o setor conhecido pelo “pulso forte”, que diz que pretende botar ordem na casa e por fim à toda a corrupção no governo?

A matéria continua de mal a pior. No fundo, o ponto principal da matéria pode ser resumido da seguinte forma: Uma nova ditadura militar seria um regime monstruoso. Caso acontecesse, todo o povo e a esquerda iriam comer o pão que o diabo amassou. Entretanto podemos dormir tranquilos à noite por que sabemos que o grande capital brasileiro e estrangeiro, esse grupo social bondoso e misericordioso, não vai fazer isso. Isso não faz mais parte da política atual do imperialismo. Evidentemente que não há nenhuma menção à tentativa de golpe militar que o imperialismo orquestrou contra Recep Erdogan na Turquia em 2016, ano passado. Nem sobre toda a pressão que a Venezuela vem sofrendo atualmente por parte da direita apoiada pelo imperialismo, ou ainda o golpe militar egípcio, que matou dezenas de milhares e o PSTU apoiou.

A continuação da matéria contém um apanhado de algumas das barbaridades cometidas pela ditadura militar. No fim diz que o PSTU acha importante defender os direitos democráticos, mesmo que dentro do capitalismo. Por que eles não defendem os direitos democráticos de Lula e outros companheiros do PT, certamente que também não há nenhuma explicação.

A matéria é uma obra prima surrealista, e se destaca mesmo para os padrões aloprados da política do PSTU. Ao mesmo tempo em que gasta longos parágrafos narrando alguns dos gravíssimos crimes cometidos pelo regime militar, defende a tese de que não há risco e portanto, não há necessidade de mobilização contra essa movimentação. Mas vamos refletir um pouco. Sendo o perigo tão alto, mesmo que as chances de uma intervenção militar hoje fossem pequenas – e qualquer pessoa minimamente informada sabe que não é o nosso caso atual – qual seria o problema em alertar amplamente a população do risco e chamar os militantes democráticos e de esquerda a se mobilizar? Será que podemos confiar na direita golpista que está no poder? É óbvio que não.

Em 1964, o PCB cometeu um erro parecido ao do PSTU, mas baseado em uma consideração muito diferente. Prestes chegou a afirmar na época, que se os militares golpistas levantassem a cabeça, que elas seriam cortadas. Prestes estava errado e o PCB sofreu na pele as consequências desse erro. Entretanto, o PCB era uma verdadeira força na época, um partido com uma presença popular muito maior do que tem hoje. Já no caso do PSTU e da nossa conjuntura atual, as coisas são distintas. O partido sabe muito bem que a situação da esquerda está muito feia. A direita ataca em muitas frentes e num ritmo muito alto. A esquerda não tem conseguido sequer reagir a todos os ataques sofridos.

Já que o PSTU não pode falar que com a sua faquinha de rocambole ele cortará as cabeças dos generais golpistas, eles procuram tranquilizar todo mundo. Muito embora vários generais e oficiais de outras patentes tenham se declarado, que o Estadão publicou uma matéria defendendo politicamente uma intervenção militar, que vemos pessoas de todos os tipos discutindo o assunto nas ruas, isso tudo seria fumaça de cigarro para o PSTU. O grande capital não deseja, podemos confiar neles…

O PSTU sofreu um duro revés recentemente com a debandada de militantes, devido à sua própria política de defesa do golpe dado no governo do PT, e hoje paga o preço. O partido não tirou nenhuma crítica a esse respeito e vem mantendo essa política suicida. Alguns diriam que não se deve chutar cachorro morto. Entretanto, o papel que setores como o PSTU e outros desempenham é muito negativo e contamina alguns setores de esquerda, de modo que achamos que vale à pena sim chutar o PSTU e a sua política que envenena a classe operária de esquerda e combativa.

O PCO tem uma política muito diferente. A nossa perspectiva é muito objetiva, ao menor sinal de fumaça temos que nos mobilizar para apagar o possível incêncio. É assim que todo trabalhador e toda pessoa sensata age, diferentemente dos aloprados do PSTU. Por causa disso, convocamos todos os setores interessados em lutar contra o golpe e o gravíssimo risco de evolução para uma intervenção militar a se juntar ao nosso ato dia 11 de Setembro, onde mais uma vez vamos exigir a anulação do impeachment e a volta da presidenta eleita Dilma Rousseff na frente do STF. Entre em contato com o PCO e procure as caravanas para este ato e participe da formação dos comitês de luta contra o golpe na sua cidade, local de trabalho e bairro.

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