Jair Bolsonaro é a favor do armamento do povo?

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O massacre de Las Vegas motivou uma nova campanha para desarmar o povo nos EUA. A campanha serve a dois propósitos: deixar o povo indefeso diante de um Estado cada vez mais militarizado e encobrir o fato de que ataques como o de Las Vegas mostram que a sociedade norte-americana leva pessoas à loucura. O hábito de importar debates norte-americanos denuncia a mentalidade colonizada da burguesia em um país esmagado e explorado pelo imperialismo. 

O Partido da Causa Operária (PCO) defende o direito dos trabalhadores se armarem. Trata-se de um direito democrático particularmente necessário diante do fato de que a burguesia está armada até os dentes. A polícia e o exército regular estão armados a serviço do Estado burguês. Além das forças regulares armadas pelo Estado para proteger a propriedade privada e os interesses dos patrões, os capitalistas contam ainda com seguranças privados, jagunços e até com exércitos de mercenários. Só o trabalhador não está armado, e está proibido de se armar, formalmente obrigado a se manter indefeso e ameaçado de punição caso desobedeça essa diretriz do Estado burguês.

Essa defesa de um direito democrático por parte do PCO foi reafirmada diante de mais uma ofensiva contra o direito de se armar importada dos EUA, embora no Brasil sequer seja possível para a grande maioria da população se armar legalmente.

Ao reafirmar sua defesa do direito de a população em geral se armar, de os trabalhadores se armarem, o PCO foi alvo de críticas nas redes sociais. A esquerda pequeno-burguesa argumenta que o PCO estaria em uma frente com Jair Bolsonaro pela legalização das armas.

O PCO é um partido que defende os interesses da classe operária e o programa político do marxismo. A oposição ao desarmamento da população é uma questão de princípio para todo partido revolucionário. Nas palavras de Lênin: “O armamento da burguesia contra o proletariado é um dos factos mais consideráveis, fundamentais e importantes da moderna sociedade capitalista. E perante este facto propõe-se aos sociais-democratas revolucionários que apresentem a ‘reivindicação’ do ‘desarmamento’! Isso seria uma negação total do ponto de vista da luta de classes, uma renúncia de qualquer ideia de revolução.”

Ao centro, entre Trótski e Kamenev, Vladimir I. Lênin. Segundo a esquerda pequeno-burguesa, o principal dirigente bolchevique seria uma espécie de Bolsonaro 100 anos antes no que se refere ao armamento do povo. Será mesmo?

A objeção pequeno-burguesa não acusa o PCO de fazer uma frente com Jair Bolsonaro pela liberação das armas, mas o conjunto dos partidos marxistas que já existiram até hoje. O programa comunista defende o direito de os trabalhadores se armarem até que isso não seja mais necessário, com a superação do capitalismo decadente. Segundo o argumento da pequena burguesia Bolsonaro seria leninista no que se refere ao direita de o povo se armar. A frente seria entre Bolsonaro e o próprio Lênin. Bolsonaro e Lênin do mesmo lado, tal é a argumentação da esquerda que defende que o população deve morrer desarmado sob as rajadas de balas da PM.

Diante de tal confusão política, infelizmente somos obrigados a colocar uma pergunta absurda para ser respondida aqui: o programa de Bolsonaro sobre o armamento da população é marxista-leninista, isto é, trotskista? Quando Lênin diz que “um fuzil no ombro de cada trabalhador” é a única garantia de democracia, ele estaria antecipando em 100 anos a política de Bolsonaro? No que se refere às armas, Bolsonaro e Lênin, Lênin e Bolsonaro, são intercambiáveis como argumenta a esquerda pequeno-burguesa?

A resposta óbvia é um sonoro NÃO! Deve-se indicar por quê. Em primeiro lugar, não é verdade que a direita e a extrema-direita defendem o direito de se armar para o conjunto da população. É uma palavra de ordem demagógica da parte da direita. Uma campanha para fazer demagogia com os coxinhas, com a pequena burguesia direitista, com a “classe média”. Não se trata de uma defesa para que o conjunto da população tenha o direito de se armar. É a defesa de um privilégio, para poucos, não de um direito, que teria que ser universal.

Bolsonaro é a favor da polícia armada para oprimir o povo indefeso. Se o povo estiver armado para resistir aos abusos e arbitrariedades do Estado, Bolsonaro e toda a direita ficam contra. Se o MST se armar para encerrar os assassinatos no campo, a direita vai procurar desarmar o trabalhador rural enquadrando-o em leis penais criadas para defender a burguesia e sua propriedade. Se os trabalhadores estivessem armados para impedir um golpe de Estado, a direita procuraria desarmá-los.

A direita não defende o direito de se armar para valer, para o conjunto da população. Esse direito tornaria o Brasil imediatamente mais democrático, o que ameaçaria o domínio da burguesia também imediatamente. Bolsonaro não poderia participar de uma frente com Lênin, como defende a pequena burguesia hoje no Brasil com seus argumentos. A direita defende o armamento da própria direita, de uma minoria para oprimir a maioria à força, seja por meio do Estado, com a polícia e o exército, ou por meio de milícias privadas. Se os trabalhadores se armarem em defesa de seus interesses, Bolsonaro e toda a direita defenderá o desarmamento, junto com a esquerda pequeno-burguesa.

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