Polícia polonesa invade ONG de mulheres

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Na Polônia diversas organizações não governamentais (ONGs) que prestam apoio a vítimas de violência doméstica tiveram as suas sedes invadidas e documentos e computadores apreendidos após terem participado de uma manifestação pela descriminalização do aborto. As autoridades alegam ser coincidência.

As incursões da quarta-feira, dia seguinte às manifestações, tiveram lugar nas cidades de Varsóvia, Gdańsk, Łódź e Zielona Góra, e resultaram na apreensão de documentos e computadores da Women’s Rights Center e da Baba. Segundo as explicações recebidas pelas ONGs a polícia procurava provas numa investigação sobre suspeitas de irregularidades no ministério da Justiça sob o governo anterior. Na época, o ministério financiou as organizações de defesa dos direitos das mulheres.

No ano passado, o partido Lei e Justiça apresentou uma proposta de lei para restringir ainda mais a prática do aborto no país. O partido conservador nacionalista pretendia que o aborto apenas fosse permitido em caso de risco de vida da mulher e que quem abortasse ilegalmente fosse sujeito a uma pena de prisão de dois a cinco anos. Esta proposta levou à mobilização de vários milhares de pessoas nas ruas e motivou, inclusive, uma greve geral em mais de 60 cidades polacas.

Apesar da derrota da proibição total do aborto, a Polônia continua a ter uma das leis mais restritivas. A interrupção voluntária da gravidez somente é permitida em três circunstâncias: quando a gravidez coloca em risco a vida da mulher, quando é fruto de violação ou incesto e quando o feto sofre de uma grave malformação.

A força do conservadorismo na Polônia é tradicional. A liderança de Lech Walesa, membro da Opus Dei, que conduziu a desestabilização e derrubada do governo comunista com o apoio aberto do Papa João Paulo II é um exemplo do poder da direita naquele país. A sua entrada na União Europeia introduziu no país as pautas identitárias da organização que tanto incomodam os conservadores.

Em pouco tempo o conflito se tornou aberto e a Polônia tem adotado em diversos campos políticas medidas e em contrariedade com as diretrizes emanadas de Bruxelas e o governo tem demonstrado forte simpatia pelo presidente estadunidense Donald Trump.

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