Pobrefobia da “esquerda” acadêmica

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A festejada intelectualidade “marxiana” ligada à esquerda pequeno burguesa ( Psol, PCB, e nos tempos pretéritos ao PSTU) repete através de uma palavreado supostamente  “radical”  e “esquerdista” os mesmos preconceitos reacionários da direita contra o povo e os pobres em particular.

De uma forma em geral, os textos de  conjuntura  dos marxianos usam os termos “marxistas” para traduzir em uma linguagem “revolucionária” a mesma política golpista da imprensa burguesa.

Na conjuntura política atual, boa parte dessa intelectualidade acadêmica supostamente de esquerda, não conseguiu perceber minimamente as coordenadas  políticas que levaram ao golpe de Estado, que interrompeu o mandato da presidenta Dilma Rousselff. Isso por si só é maior evidência do completo fracasso teórico e da nulidade dos acadêmicos marxianos.

Uma parcela significativa dessa intelectualidade “marxiana”  ainda hoje se nega a lutar contra o golpe, e continua escolhendo como alvo preferencial os “ erros do PT”, tentando com isso passar a imagem que são a verdadeira “ esquerda”.

Mas atenção! Convido o leitor a analisar com acuidade o conteúdo concreto da critica dos críticos da esquerda pequeno burguesa.

Um exemplo cabal disso, é a suposta defesa da “luta de classes” empreendida pela professora Virgínia Fontes  em entrevista especial à TV Afiada. Para a historiadora, uma das principais expoentes da esquerda acadêmica, não aconteceu uma revolução no Brasil como na Rússia, por culpa do PT, que não “ trouxe uma reflexão nas universidades sobre o que é o capitalismo, os riscos do capitalismo e o que é classe social” . Sendo que o problema central é a substituição pelo PT da noção de classe social pela “Pobretologia”.

Na sua entrevista para o jornalista Paulo Henrique Amorim, Virginia Fontes critica os programas sociais do PT de transferência de renda e de combate a pobreza, pois significaria o abandono da ideia de “  luta de classes” Assim, o PT estaria cometendo o odioso crime de usar uma minúscula parte do orçamento público para distribuir dinheiro entre os pobres, praticando uma “Pobretologia”.

É significativo que a intelectual, idolatrada pela esquerda pequeno burguesa, reproduz sem tirar nem por a mesma cantilena de Bolsonaro, Ronaldo Caiado, da Veja e dos coxinhas em geral contra os programas sociais destinados a redução da pobreza implementados pelos governos do PT. Na versão esquerdista, a critica ao Bolsa Familia, é ressaltada pelo fato que o Banco Mundial deu o seu aval a “Pobretologia” petista. Inclusive o Banco Mundial criticou recentemente os cortes promovidos pelo governo Temer no Programa Bolsa Família. (Talvez esses cortes indiquem que o governo golpista está realizando o desejo profundo da professora em liquidar com Pobretologia” do PT e do Banco Mundial).

Em uma analogia histórica, a critica à Pobretologia” do PT tem o mesmo sentido das campanhas udenistas contra o populismo varguista ou seja o Estado não deve adotar posições em benefícios aos setores mais pauperizados, pois seria demagogia e manipulação. De um ponto de vista da representação ideológica das classes, a posição de Virginia Fontes é elitista e preconceituosa, ligada aos posicionamentos tradicionais da classe média, o que Jessé de Souza, classificou de “ tolice da inteligência brasileira”.

Os marxianos críticos tão afeitos aos discursos ” críticos” em relação ao mundo real, que procuram ostentar através dos seus títulos uma superioridade em relação aos trabalhadores e os pobres, apenas reproduzem de uma maneira sofisticada os seus próprios interesses mesquinhos de classe média intelectualizada. Assim, repetem a exaustão lições de morais sobre como deve ser a ”  luta de classes” como deve ser ” a esquerda critica”, que o ” povo está alienado”, etc, etc.

No seu livro A Sagrada Família ou a crítica da crítica critica contra Bruno Bauer e consortes, Marx  já assinalava que a grandiosa eloquência e pretensa superioridade da ” critica critica”  sobre as massas nada mais é do que uma profunda alienação diante da realidade. Os arroubos dos marxianos acadêmicos expressam  uma forma de auto engano diante miséria da perspectiva das classes médias.

Um dado curioso, é que apesar de toda critica, a esquerda critica é ela mesma messiânica, achando que é a única detentora do conhecimento real. Na entrevista citada, a Doutora afirma que o capitalismo mudou, e que poucas pessoas no Brasil tem a chave da Verdade, certamente somente os poucos iluminados do marxismo acadêmico conhecem a verdade, inclusive é preciso revisar ou atualizar Marx, uma vez que não é mais o controle dos meios de produção o elemento central do capitalismo. Esses decretos sobre o mundo demostram não somente a arrogância intelectual, característica da intelectualidade da esquerda pequeno burguesa,mas sobretudo a autoproclamação de uma sabedoria inexistente.  Neste sentido, não é exagero afirmar que o culto em relacao aos cultos intelectuais marxianos nas universidades reproduzem o mesmo tipo de mentalidade acritica do culto dos coxinhas a figuras sinistras como Olavo de Carvalho.

O que essa critica ao PT feita do alto da torre de marfim marxiana, revela é que uma parcela expressiva da intelectualidade acadêmica  combate a  “Pobretologia” simplesmente por terem   uma profunda aversão aos pobres, uma Pobrefobia. Apesar de combater a Pobretologia em nome da ” luta de classes” , a historiadora marxiana parece ter como inspiração não Marx ou Gramsci, mas Justo Verissimo, o personagem de Chico Anysio, afinal os intelectuais da esquerda pequeno burguesa como todos os coxinhas querem mais é ” os pobres se explodam”.

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