Crise da social-democracia é resultado da polarização política

Compartilhar:

No dia 24 de setembro, os alemães foram até as urnas para eleger seus representantes nas eleições federais. Enquanto todas as atenções se voltavam para a amarga vitória de Angela Merkel e para o fato mais significativo das eleições, a entrada da extrema-direita no Parlamento, o Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) contava 20,5% dos votos. Um desempenho 5,2% pior do que nas eleições anteriores, em 2013, quando o SPD teve uma fraca recuperação.

Na Alemanha, a social-democracia nunca se recuperou do desgaste do governo neoliberal levado adiante por Gerhard Schröder. Esse fenômeno se repete por toda a Europa. Na França, a queda do Partido Socialista (PS) foi catastrófica, saindo direto do governo para uma pequena bancada de 30 deputados em um total de 577, a quarta bancada da Assembleia Nacional. Na Itália, as pesquisas apontam uma preferência pela Movimento 5 Estrelas (M5E) contra o Partido Democrático (PD) do primeiro-ministro Paolo Gentiloni, que assumiu no fim de 2016 depois da renúncia de Matteo Renzi, derrotado em um referendo constitucional.

Alemanha, França e Itália, os principais países imperialistas do continente apresentam o mesmo fenômeno. Em outros países da Europa, como Bélgica e Holanda, a social-democracia também desmoronou. Em todos esses casos, a crise dos partidos da esquerda do regime representa uma crise dos regimes políticos de conjunto. O desgaste da social-democracia é o desgaste do próprio regime.

A social-democracia é o pilar da democracia burguesa. São os partidos social-democratas, reformistas, que representam uma esquerda dentro do regime político, que são reconhecidos pela classe trabalhadora como seus representantes eleitorais. Os partidos reformistas expressam o pacto social que sustenta a democracia burguesa. São os partidos que atuam no Parlamento com respaldo das massas.

Sem esses partidos no regime, esses regimes seriam uma ditadura aberta da burguesia, como o Brasil depois do golpe caso a direita consiga concluir a destruição do PT. Se a direita governa sem nenhuma oposição significativa isso já é abertamente uma ditadura. Se o deslocamento do regime for mais à direita, com o governo de um partido como a Alternativa para a Alemanha (AfD), o regime já se encaminha para uma ditadura bonapartista.

O desgaste do regime burguês na Europa é resultado da polarização política. O pacto social desses regimes está fracassando. De um lado, os trabalhadores não reconhecem mais nenhum representante no Parlamento, diante dos governos neoliberais realizados pela social-democracia. De outro, movimento de extrema-direita ganham espaço eleitoral e roubam espaço da direita tradicional, empurrando o regime de conjunto para a direita.

A exceção entre os principais países imperialistas é o Reino Unido. Jeremy Corbyn assumiu o comando do Partido Trabalhista como resultado de um movimento dos trabalhadores da base do partido contra o aparato da burguesia que dominava o partido por dentro. Cada vez mais, Corbyn aparece como o inevitável próximo governo. A burguesia já considera formas de golpe de Estado para impedir que Corbyn implemente suas políticas. Caso Corbyn seja impedido de implantar suas reformas, a tendência é que também no Reino unido o pacto social desmorone de uma vez, e a esquerda pode se radicalizar ainda mais. Com o atual reconhecimento do trabalhismo como representante dos trabalhadores, a extrema-direita recuou drasticamente no país.

De um lado, a esquerda do regime tenta implantar reformas para evitar uma revolução. De outro, a extrema-direita é contra qualquer reforma, e representa a contrarrevolução. A situação do regime burguês na Europa, nesse quadro, está por um fio. Em 2008 o capitalismo entrou em uma nova etapa de crise, da qual os capitalistas nunca encontraram uma saída. Sob esta crise, o regime “democrático” do imperialismo está ruindo por toda parte.

artigo Anterior

Cresce na APEOESP, maior sindicato do País, mobilização para o dia 11

Próximo artigo

Vicente Cândido: um deputado do PT a serviço do golpe e da ditadura

Leia mais

Deixe uma resposta