25 anos de massacres em inúmeros Carandirus

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O maior massacre ocorrido no sistema penitenciário brasileiro completou nesta segunda feira, dois de outubro, 25 anos. Carandiru ficou mundialmente famoso por se tornar palco de uma das mais covardes ações policial. Neste dia foram assassinados muito mais que os 111 homens divulgados oficialmente. Os sobreviventes da chacina contam em torno de 300 a 400 pessoas foram mortas, sendo que, já estavam rendidas quando a PM assassina entrou no Pavilhão 9 trazendo o terror.

Essa chacina e muitas outras que a seguiram, mostram que o sistema penitenciário vive uma crise que está longe de acabar. Pior, temos não só mais o Carandiru, mas muitos carandirus espalhados no interior paulista. As prisões de São Paulo são centros de tortura e morte, e quase sempre os agentes do Estado recorrem a força letal para resolver os conflitos que surgem entre a massa carcerária.

Em 1992 o estado de São Paulo contava com cerca de 50 mil pessoas encarceradas. Hoje ultrapassa o absurdo número de 250 mil pessoas vivendo como animais enjaulados. Não há atendimento de saúde, de educação, muito menos de atendimento jurídico. Sua população é formada em sua maioria por jovem, pobres e negros, os descartáveis da sociedade burguesa, especialmente após o golpe de Estado.

O Estado nunca foi responsabilizado pelo massacre, a Justiça fascista inocentou todos os assassinos da PM, nenhum foi afastado e muitos foram promovidos. Alguns até foram eleitos para cargos legislativos usando o massacre como plataforma política. Um verdadeiro escárnio para a população.

Passados os 25 anos do massacre, temos uma política de encarceramento da população pobre que acaba superlotando as penitenciárias e agravando os riscos de vida. É de total conhecimento das autoridades as intervenções violentas do Grupo de Intervenção Rápida (GIR); elas são recorrentes e trazem a tona toda a selvageria fascista de agentes públicos que vêem no Massacre do Carandiru um modelo a ser seguido.

Durante esses 25 anos multiplicaram-se os massacres promovidos pela repressão do Estado. A Polícia Militar de São Paulo é a mais violenta do mundo. E com o golpe, vimos que os assassinos fardados nem querem mais esconder os corpos de suas vítimas.

São inúmeros casos de chacinas e massacres promovidos por militares que agem no extermínio da população pobre e, assim, protegem as propriedades da elite. A Secretaria de Segurança e Justiça de São Paulo serve para garantir os privilégios de uma burguesia parasitária e a manutenção dessa ordem social e econômica desigual.

O Estado de São Paulo insiste no encarceramento em massa, e assim insiste em chacinar e massacrar a classe trabalhadora como foi feito no Carandiru. É preciso lutar pelo libertação dos presos. Os campos de concentração (cadeias) que existem aos montes devem ser desativados, pois são lugares que promovem sofrimento e morte. Não devemos aceitar a intervenção militar, pois a carnificina que se aprofundará e irá infligir a todos, presos ou não.

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