Silêncio no pandeiro, morre o bamba do samba carioca Paulinho da Aba

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O samba carioca, brasileiro e a Vila Isabel estão de luto.

O músico, cantor e compositor, Paulo Roberto Corrêa, o Paulinho da Aba, nascido em 1 de março de 1945, faleceu na tarde do dia 26 de setembro de 2017, aos 72 anos, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC). Ele estava internado, desde sábado, no Hospital do Andaraí, Zona Norte do Rio.

De temperamento dócil, Paulinho era querido no mundo do samba e onipresente no bairro de Vila Isabel, reduto do samba na Zona Norte do Rio, onde circulava entre bares e rodas. O músico e sambista foi um bamba do samba carioca, reconhecidamente um dos maiores pandeiristas do país, é referência na arte de tocar o pandeiro, pelo absoluto domínio do instrumento que é a representação maior do samba carioca.

O nome artístico é referência ao seu maior sucesso como compositor, o samba “Na aba”. Paulinho conseguiu projeção nacional após Martinho da Vila gravar em 1984, seu samba composto com Ney Silva e com Mestre Trambique. Na Aba foi primeiramente lançado na voz de Bezerra da Silva em 1982, mas o samba só fez sucesso na voz de Martinho, quando então Paulo Roberto Corrêa virou para sempre o Paulinho da Aba.

Antes de se projetar como compositor com o sucesso de seu samba na voz de Martinho, Paulinho já era músico requisitado. Sua trajetória teve início precocemente, nos programas de calouros da década de 1950, e atingiu o ápice nos anos 1970 e 1980. Percussionista, logo aprendeu a manusear com maestria o pandeiro, instrumento que lhe tornou um craque dos palcos e dos estúdios. Durante anos, Paulinho tocou seu pandeiro nas bandas Martinho da Vila, Sargentelli e Beth Carvalho, além de ter gravado com grandes estrelas da nossa música como Roberto Ribeiro, Clara Nunes e João Nogueira.

Paulinho da Aba lançou um CD solo, “Onde o samba mora”, com 19 canções em 2015, disco no qual o criador deu voz às próprias criações, trata-se de um registro autoral de obras que inclui composições como “Um Sofredor”, “Um Mal de Amor”, “Eu Pensei”, “A Barca”, “Manteiga de Garrafa”, além do sucesso de 1995, “O samba é a minha escola” , uma parceria com Martinália, Agrião e Claudio Jorge, músicos ligados a Vila Isabel como ele.

Ontem o pandeiro de Paulinho silenciou, fica seu legado para o samba.

Reveja o documentário exibido pela TV Cultura em 1991, com a Roda De Samba, que teve a participação de Paulinho Da Aba, Zé Trambique, Martinho Da Vila e Paulinho da Viola. Essa Roda De Samba ocorreu em 1991, no Bar Varandão Em Vila Isabel.

 

“Na Aba” Martinho da Vila com a participação de Paulinho da Aba

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