Ku Klux Klan à brasileira

Compartilhar:

O crescimento da extrema-direita no Mundo, dá sinais também no Brasil, com a vigência do golpe de estado.

Na semana passada, pichações com suásticas e mensagens racistas foram encontradas no banheiro de uma faculdade em Santa Maria (RS). Neste segunda-feira (25), um advogado negro de Blumenau (SC) se deparou com uma ameaça de fascistas em um cartaz colado em um poste em frente sua residência.

“Negro, comunista, antifa e macumbeiro, estamos de olho em você”, diz o cartaz, que tem ainda uma imagem representativa do movimento racista KKK (Ku Klux Klan), dos Estados Unidos.

Diante da descrença ao ver o cartaz, o advogado recorreu às redes sociais para divulgar o ataque. A ideia inicial, no entanto, era não dar nenhuma visibilidade a ação, mas ao ver que a discussão estava tomando rumos incertos, preferiu comentar o episódio. “Tenho encarado a situação com uma oportunidade de trazer este assunto à tona e poder agregar cada vez mais pessoas nesta discussão”.

Marco Antônio André, que é praticante do Candomblé, membro atuante do NEAB (Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros) da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), o advogado não se intimidou e afirmou que continuará lutando “por uma sociedade mais justa e igualitária”.

Segundo o militante do movimento negro, depois do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, a “caixa de pandora” que acolhia os conservadores foi aberta. “Antes tínhamos um governo que permitia o acesso de classes menos favorecidas, de minorias que lutam contra o preconceito, e por isso essas outras opiniões eram menos divulgadas. Depois do impeachment, a caixa de pandora se abriu e esses discursos que estavam engavetados afloraram”, explica, buscando entender a ascensão de uma direita extremista no Brasil.

“Não sabemos seu rosto, mas sabemos em quem votam e quem apoiam”, ameaçou a direita.

No Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB), onde é pesquisador, se debate constantemente qual o tipo de racismo que os brasileiros negros sofrem. No seu caso, afirma ser a vítima constante do tipo institucional. “O negro de terno é segurança, nunca é advogado.” Apesar da discriminação da profissão, Marco luta pela criação da Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra na OAB de Blumenau.

Os negros devem ser organizar, na luta cotidiana contra o golpe junto com os demais setores oprimidos, bem como em um partido operário que lute pela emencipação do negro e de todos os explorados contra a ameaça real da extrema direita e da burguesia e do seu Estado que a apóia.

artigo Anterior

“Assembleia” do Sindicato dos Correios de SP é a uma ditadura contra o trabalhador

Próximo artigo

Para o negro, nem o direito de ir e vir

Leia mais

Deixe uma resposta