Renda de brancos e negros só deve ser equiparada no Brasil em 2089

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O Brasil do golpe vem se tornando cada vez mais um país de extremas desigualdades, onde um abismo social está sendo criado para alimentar o mercado financeiro com mão de obra barata e desqualificada.

Entretanto, esse quadro de desigualdade social no Brasil não é novidade, porém, desde o início do golpe de Estado a situação tem se agravado e a desigualdade racial que ainda nos assola possui um triste retrato na esfera econômica que precisa ser denunciado e combatido: os trabalhadores brancos ganham salários médios 82% superiores aos rendimentos dos negros. Essa realidade escravocrata está estampada no resultado de inúmeras pesquisas feitas tanto pelo governo quanto por ONGs.

Os números não deixam dúvidas. Mesmo considerando diferenças etárias, de gênero e regionais, dados oficiais apontam: negros que estudaram até o ensino médio ganham em média 86% do que ganham brancos na mesma situação. Quando avançamos para o ensino superior, essa diferença aumenta. Profissionais negros ganham em média 77% do que recebem os brancos com igual qualificação.

O Brasil deve levar dois séculos, desde a abolição da escravatura, no fim do século XIX, para equiparar a renda de negros com brancos, isso se a tendência de redução da desigualdade dos últimos 16 anos for mantida, o que esta cava vez mais claro que com a direita golpista no poder, não vai acontecer.

Para entendermos esse dado, é necessário analisar números educacionais como, por exemplo, o fato de que para cada três brancos formados no ensino superior, há menos de um negro formado em igual curso. Isso faz com que os negros brasileiros estejam sub-representados em carreiras como Medicina, Engenharia ou Direito. A conclusão é do relatório “A Distância Que Nos Une”, que a organização não governamental Oxfam Brasil divulgou recentemente, com dados sobre a desigualdade socioeconômica no país.

Os dados do IBGE dão conta de que os trabalhadores brancos ganham salários médios 82% superiores aos rendimentos dos pretos, conforme dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), divulgados pelo IBGE. Um trabalhador branco tem um rendimento médio real de R$ 2.660, considerando todas as ocupações, enquanto brasileiros negros empregados ganham R$ 1.461 — uma diferença de R$ 1.199. Os pardos ganham, em média, R$ 1.480.

O desemprego também atinge mais negros e pardos. A taxa média de desocupação no País esta em 14,2%, porém entre as pessoas de cor preta alcança 15,4% e, no caso dos pardos, foi a 14,9%. Por outro lado, a taxa de desocupação dos brancos foi de 9,5%. Outro fator que coloca essa política racista em prática é a questão tributária, os ricos pagam menos imposto de renda do que deveriam, a carga dos tributos indiretos recaem mais sobre os mais pobres e, por fim, temos uma evasão fiscal “tolerada” e renúncias de impostos que o governo golpista abre mão. Nossa política tributária é totalmente injusta e reforça a concentração de renda.

O fato de a população negra ter um salário menor do que a população branca (mesmo sendo a população negra e parda mais da metade do total dos habitantes do Brasil) independente da escolaridade e da experiência,  evidencia que a prática discriminatória e racista ainda é presente em nossa sociedade e que os números apontam para um dado vexatório de que haverá uma possível equiparação salarial apenas em 2089.

Esse numero ilusório e descabido mostra o atraso e o retrocesso em que a política neoliberal planeja o futuro econômico social de nossa população, por isso, torna-se urgente a luta contra a desigualdade racial e a pratica discriminatória da exclusão e da divisão salarial em detrimento de etnias ou cor de pele.  O escravismo no Brasil deixou marcas que precisam ser arrancadas à força através, neste momento, da luta contra o golpe de Estado, dado pela direita brasileira, tradicionalmente racista.

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