Golpe militar, UERJ e Lava Jato: Rio de Janeiro é laboratório político

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Durante o Seminário de Gestão da UNE (23), o Diretor da Faculdade de Direito da UERJ saiu em defesa da universidade “a crise da UERJ é a ponta de lança da crise das universidades públicas”. Para Ricardo Lodi, a solução da UERJ está na capacidade de professores, estudantes e funcionários de “carrear recursos do orçamento pra universidade como tem sido feito nas últimas décadas no Brasil”. Ele ainda denuncia que “uma das facetas do golpe é o fim do bem estar social, em especial na saúde e educação”.

Uma das primeiras medidas de ataques do governo golpista foi a aprovação da PEC 55 na qual congela o orçamento de saúde, educação e assistência social, por vinte anos. Ou seja, independente de variáveis econômicas como aumento da inflação, aumento da arrecadação orçamentária, etc., o investimento anual seguirá o mesmo nessas áreas. Os efeitos são catastróficos: as universidades e institutos federais terão que fechar as suas portas.

A política de acabar com o ensino superior gratuito no país segue descaradamente incluindo também as universidades estaduais. O Tesouro Nacional chegou a “orientar” no acordo de “recuperação fiscal” para que Governo Estadual do Rio de Janeiro faça uma “revisão da oferta de ensino superior”. Ou seja, o cinismo dos golpistas vai longe: um dos estados mais importantes do país seria incapaz de ter uma universidade pública.

Sendo assim, o ensino superior após o golpe tem sido um dos setores mais atacados. A mobilização de estudantes, professores e funcionários frente aos acontecimentos políticos nacionais sempre preocupou a direita brasileira. Diante da eminência da intervenção das Forças Armadas a nível nacional revelada pela cúpula do Exército, a ocupação das Forças Armadas no Rio de Janeiro e a destruição da Petrobrás, o Estado se torna um verdadeiro laboratório dos golpistas em todos os sentidos. Portanto, para barrar a ofensiva da direita é preciso lutar contra o fechamento da UERJ alinhando a reivindicação com os problemas mais gerais, exigindo a saída imediata do Exército das ruas e se posicionando contra a Lava Jato.

Neste momento, mais importante que um “grande” ato ou novamente de uma deflagração de greve na UERJ é o caráter combativo e de vanguarda que pode emergir no Rio de Janeiro. Somente com a unificação das lutas em torno de aspectos políticos essenciais para os golpistas pode haver a possibilidade de recuo. A classe dominante precisa relembrar a expressão “ceder os anéis para não perder os dedos” desta vez em forma de uma mobilização esclarecida e radicalizada diante da ofensiva do golpe militar.

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