Direita golpista avança e já censura as artes

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Na semana passada, mais uma demonstração clara da polarização que tomou o país pôde ser vista. A estrondosa reação da direita a uma exposição artística de diversidade sexual desnudou o espírito de Idade Média que vem se alastrando no interior da burguesia, sobretudo pelos insipientes “liberais”, representantes oficiais do neoliberalismo.

A exposição Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira, alocada há semanas no Santander Cultural em Porto Alegre, foi cancelada no domingo (10) após manifestações em redes sociais e “boicotes” promovidos pela direita. Como não poderia deixar de ser, um dos grupos que encabeça o movimento é o fascista MBL. Para promover a censura, os grupos alegaram que as obras expostas incentivariam a pedofilia e a intolerância religiosa.

Por óbvio, há uma indisfarçável ironia na questão. O grupo financiado pelos golpistas, apoiador dos mais intolerantes setores já vistos no país nas últimas décadas, propagandistas do falso moralismo cristão, do fim das organizações dos trabalhadores, da rotulagem de “chata” às mulheres que lutam por seus direitos, da repressão policial ao pobre e do fim de qualquer amparo estatal à população, taxou a exposição artística como uma violência a crenças e bons costumes.

O cancelamento da exposição “Queermuseu — Cartografias da diferença na arte brasileira” no Santander Cultural, em Porto Alegre, virou alvo de debates. Inaugurada no dia 14 de agosto, a mostra deveria ficar em cartaz até 8 de outubro, mas foi fechada depois que a direita golpista e pro-imperialista pressionaram a instituição.

Ao saberem da decisão, artistas, curadores, produtores de arte, mas também economistas, professores e profissionais de diversas áreas se manifestaram contra a posição do Santander. Ontem à tarde, a instituição anunciou que irá devolver à Receita Federal os R$ 800 mil captados pela Lei Rouanet para realizar a exposição.

ONGs e entidades que se dedicam à promoção dos direitos LGBT marcaram para esta terça-feira, às 15h30m, em frente ao Santander Cultural, um ato em repúdio à decisão e em defesa da liberdade de expressão. Herdeiros da artista Lygia Clark (1920-1988), que tem duas obras na coletiva, prometeram participar. Além disso, circula na internet um manifesto, que contava com cerca de 3.800 assinaturas reivindicando a reabertura da mostra.

Esses e outros eventos de censura como a “escola sem partido”, a “cura gay”, são exemplos do avanço da extrema-direita e da intervenção militar. Como vimos semana passada com a fala do General Antonio Hamilton Mourão. “Ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública o elementos envolvidos em todos os ilícitos ou então nós teremos que impor uma solução. Os Poderes terão que buscar uma solução. Se não conseguirem, temos que impor uma solução. E essa imposição não será fácil. Ela trará problemas. Pode ter certeza”.

Enfim, em tempos de polarização extrema, não há como se acomodar em cima do muro. Não há “meia luta”. A esquerda tem que entender seu lugar e opor-se, de uma vez por todas, a toda forma de censura às artes e às manifestações de pensamento. Sem ilusões jurídicas, com a certeza de que o fascismo só pode ser derrotado nas ruas.

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