Demitido por ser negro

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“O cliente sempre tem razão” ainda mais se for uma reclamação de agressão (mesmo que falsa) contra um funcionário negro.

Em um país como o Brasil, onde o racismo é institucional, onde a população sofre até os dias de hoje com uma herança histórica de escravidão, discriminação, marginalização e violação dos direitos do negro, qualquer que seja a situação o negro estará sempre errado, estará sempre fora do seu lugar; o negro, pertença ele a qualquer classe social, sempre é visto com desconfiança, porém é contra a classe trabalhadora que o racismo é ainda mais duro.

“O cliente sempre tem razão”, principalmente se for branco e reclamar de um funcionário negro, não existe apuração dos fatos, existe a palavra do cliente, existe a insatisfação e a intenção de prejudicar a vida do trabalhador, por puro prazer de sobrepujar o negro, esteja ele em que situação estiver.

Um funcionário do metrô de São Paulo, operador da estação da Praça da Árvore, linha azul, funcionário há 15 anos, foi demitido após um usuário tê-lo ofendido verbalmente, gesticulado contra ele e tê-lo xingado de “macaco”; tudo isso deveria configurar preconceito racial, é também crime atacar e ofender funcionário público, porém, o usuário que reclamou do funcionário de metrô, não formalizou denúncia, não abriu B.O, apenas foi e o acusou de agressão física, e pronto: foi o suficiente para que Valter Rocha Júnior, funcionário negro, trabalhador  há 15 anos perdesse o seu emprego.

A conivência de empresas e de uma parcela da sociedade em episódios de racismo só evidencia o tipo de política que estamos inseridos. A extrema direita tem se sentido cada vez mais à vontade para atacar a população negra, pobre e trabalhadora.

Valter por exemplo, já  sofreu outras vezes racismo no metrô de São Paulo, e não apenas por parte dos usuários, mas também pela administração. “Não é a primeira vez que Valter sofre racismo por parte do Metrô de SP. Em 2008 a chefia pediu que cortasse o seu cabelo por usar ‘deram locks’. E recentemente sua promoção, após ter passado em concurso interno, foi colocada em risco sem nenhum tipo de motivo técnico.” (Geledès)

Existe a denúncia de que o metrô de São Paulo vem demitindo de forma sistemática e sempre sob alguma alegação infundada seus funcionários negros.

Para o negro não existe um “lugar de fala”, lugar de trabalho, lugar de viver normalmente nestes tempo de aprofundamento de golpe e das políticas de extrema direita. Não existe o racismo “velado”, ele agora é escancarado, encorajado e até aplaudido pelo próprio regime golpista.

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