“De graça”: vigora o direito de ir e vir na Venezuela

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Imagine um país com a gasolina mais barata do mundo. Um litro custa R$0,00016.

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Os pedágios não possuem as estradas.

Em 2008, por ordem de Chávez, foram eliminados todos os 42 pedágios que existiam em no país. Em 2015, Maduro os restabeleceu em parte, cobrando apenas dos veículos pesados de carga, por pressão dos governadores e da queda dos preços do petróleo.

Quarenta e duas praças de pedágio… em um sistema rodoviário de cerca de 100 mil quilômetros de extensão. Parece um sonho.

A população do estado de São Paulo, aproximadamente 40% mais populoso e 3,7 vezes menor em área do que a Venezuela, é refém de nada menos que 237 praças de pedágio (o número é de 2010). Detalhe: a malha rodoviária da Venezuela é quase três vezes maior que a de São Paulo.

Isso explica porque uma viagem de ônibus de 1.260km entre a fronteira com Roraima e a capital do País custe, para um estrangeiro que não sabe muito bem se está pagando um preço quatro vezes maior do que deveria, o equivalente a R$24,00. É o preço de uma passagem de São Paulo a Santos, uma distância 15 vezes menor. O carro mais econômico pediria cerca de R$50,00, sendo R$20,00 de gasolina e R$30,00 de pedágio.

O fim da catraca

O metrô deles foi inaugurado em 1983, com 6,7km de extensão. Hoje conta com 60,5km (nove vezes maior), 50 estações e atende 2,2 milhões de passageiros da capital e área metropolitana, pouco menos da metade da população total.

O metrô paulistano é 11 anos mais velho. Abriu com 16,7km e demorou 34 anos para chegar aos 78,7km, isto é, crescer 4,7 vezes. Tem 67 estações e, a cada nova estação inaugurada e entregue a uma empresa privada, seu crescimento é insuficiente, nascem novos gargalos por onde passa praticamente o dobro de pessoas em relação à capital venezuelana.

Em Caracas, o bilhete de metrô custa R$0,0031.

Às cinco da tarde, quando as estações estão cheias, as portas laterais das catracas são abertas. Alguns entregam seus bilhetes aos funcionários do metrô. Mera formalidade, costume. A catraca, o bilhete e o fiscal tornaram-se obsoletos.

Assim a vida passa na Venezuela. Flui. Andar não custa nada. É um direito adquirido e um problema a menos na vida do povo venezuelano.


Este artigo faz parte da cobertura do Diário Causa Operária Online direto da Venezuela. Escrito em Caracas, a matéria faz parte do especial sobre o país latino-americano. Clique aqui e acompanhe o que acontece de verdade na Venezuela

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