Golpe promove maior arrocho salarial dos últimos 14 anos

Compartilhar:

De fato, faltariam ruas para protestos se a classe trabalhadora soubesse quais são os planos da quadrilha de vira-latas que por hora usurpa o poder do país através do golpe de estado. Para os golpistas da quadrilha de Temer, a servidão voluntária ao mercado financeiro é o único caminho a ser seguido e quando se juntam a canalhice da direita brasileira e a obsolescência dos grandes capitalistas o que temos é a destruição do trabalho, perda de direitos, sucateamento de serviços públicos, desemprego, privatizações e arrocho salarial.

Uma pesquisa realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que, em 2016, 36,7% dos acordos salariais foram fechados com índices inferiores à inflação. Quase o dobro do ano anterior (19%). Apenas 18,9% dos acordos tiveram aumento real (acima da inflação, medida pelo INPC-IBGE). O resultado, equivalente a 2003, foi o pior da série histórica, iniciada em 1996. E os demais 44,4% foram equivalentes ao INPC. A variação média dos reajustes ficou abaixo do índice de inflação: -0,52%. Entre 2005 ​e 2014, (período dos Governos Lula/Dilma) as negociações com ganho real nunca foram menos do que 70% do total. Com exceção de 2005, 2008 e 2009, foram de no mínimo 86%. Em dois anos, 2012 e 2014, superou os 90%. A situação piora em 2015, quando os acordos acima da inflação somaram 50,7%. O Dieese apurou ainda aumento no número de reajustes salariais parcelados, o que já havia acontecido no ano anterior. Em 2016, 29,6% dos acordos tiveram parcelamento, ante 13,7% em 2015. De 2008 a 2013, a proporção ficava entre 4% e 5% do total. Entre os setores, o de serviços teve a maior proporção de reajustes abaixo da inflação: 49%. Outros 20,6% ficaram acima do INPC, índice maior que a média geral. Na indústria, foram 16,9% de acordos com reajuste superior à variação do INPC e 30,6% abaixo, com 52,6% equivalente ao índice usado como referência nas negociações. O comércio teve 21,4% acima e 29,1% abaixo, com praticamente metade (49,6%) iguais ao INPC.

O ataque aos rendimentos dos trabalhadores sempre foi o principal alvo da direita fascista e sempre que um grupo desses chega ao poder a primeira investida que fazem sobre o patrimônio popular é redução salarial e ataques à política de valorização do salário mínimo, política herdada da ditadura, o assalto ao dinheiro dos trabalhadores sempre esteve norteando a cabeça fascista dos golpistas.

O golpe de 1964 também atacou e depreciou o valor do salário mínimo. João Goulart, o presidente que foi derrubado pelo Golpe, defendeu o salário mínimo concedendo aumentos necessários. Em março de 1964, o salário mínimo valia mais que 1,2 mil reais a preços de hoje. Ao final do regime ditatorial militar-empresarial, em 1985, o salário valia menos da metade do que valia no governo de Goulart. Com o golpe de 1964, um novo modelo econômico foi imposto. O pacto militar-empresarial vendia a ideia de que era pela “promoção do crescimento econômico e a realização de investimentos públicos e privados”. Nada disso foi feito. Ao contrario, foi um modelo concentrador de renda e de riqueza. A ideia que justificava esse modelo foi expressa pelo então ministro Delfim Netto, que dizia que era necessário, primeiro, fazer o bolo crescer para, depois, distribuí-lo. Cresceu só pra uma elitezinha entreguista, mas não foi distribuído. Durante a ditadura, o setor privado fez grandes investimentos financiados pela folga financeira devido à drástica redução de custos que representava a folha de pagamentos (arrocho salarial) – além de favores concedidos pelos militares a determinados setores empresariais. O arrocho salarial não foi uma mera maldade de um governo que eliminou a democracia, extinguiu a liberdade, torturou e assassinou; a compressão salarial era parte importante do modelo de financiamento do crescimento econômico com concentração de renda e riqueza.

Esse modelo repugnante possui um equívoco que foi provado pela experiência dos últimos anos, mas principalmente evidenciada durante os governos do ex-presidente Lula. Juntamente com as centrais sindicais o presidente formulou uma regra de reajuste do salario mínimo que é a seguinte: o salário mínimo é reajustado todos os anos de acordo com a inflação do ano anterior mais o crescimento econômico de dois atrás. A regra garante que o salário mínimo não perde valor real e se a economia crescer, ganha poder de compra. O resultado foi que houve uma extraordinária valorização do salário mínimo (mais que 70% em termos reais). E para causar pesadelo nos conservadores Golpistas: a informalidade no mercado de trabalho caiu drasticamente durante os governos Lula e Dilma. A política do Governo golpista é perversa e precisa ser enfrentada nas ruas, a politica do golpe é a politica da Ditadura de sufocar o trabalhador e leva-lo a condição de semiescravidão. A mobilização da Classe trabalhadora precisa ser maciça, não há outro caminho senão o enfrentamento.

artigo Anterior

Presidente da CUT conclama: ocupar Curitiba contra a prisão de Lula e a farsa da Lava Jato!

Próximo artigo

Lula será preso, diz jornalista

Leia mais

Deixe uma resposta