Transporte de presos no Brasil é idêntico aos navios negreiros do século XIX

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A burguesia racista insiste na ideia em acabar com toda dignidade da população pobre e negra brasileira. Não basta violar todos direitos humanos do cidadão dentro da cadeia, e preciso humilhar e trazer sofrimento também em seu transporte. Os chamados “bondes”, veículos utilizados pela Secretaria de Administração Penitenciária para o transporte de sentenciados, são verdadeiros navios negreiros. Assim como no século XIX onde negros africanos eram raptados de seus países e transportados em navios  superlotados e insalubres, temos atualmente esses caminhões de carga humana nas mesmas condições dos navios negreiros. Homens, na sua maioria negra, acorrentada em espaços pequeníssimos, viajando por horas em carrocerias fechadas, onde há pouca ventilação, detritos de todas as espécies, muita sujeira, sem água para beber ou espaços para fazer suas necessidades, tudo isso parece que foi tirado de um livro de História do Brasil, mas não… essa é a realidade que se encontram os encarcerados do país.   

Quando a Polícia Militar assassina não acaba matando o indivíduo, ela prende em flagrante (muitas vezes forjado), e o transporte para a delegacia se faz dentro do chamado “camburão” ou “gaiola” da viatura. Essa “gaiola” não passa de um porta malas com grades instaladas na parte traseira das caminhonetes. O espaço é mínimo e restrito, os presos são obrigados a ficarem encolhidos, também não há ventilação. Um ambiente improvisado e planejado para ser cruel com a população negra e pobre. Esses capitães do mato abordam esses indivíduos a base de violência; torturam, xingam, forjam e algemam esses infelizes, os presos seguem algemados dificultando assim a respiração, muitos chegam a vir a óbito, assim como muitos escravizados do continente africano que não agüentaram a travessia do Atlântico. Essa é a perversidade do sistema capitalista que não acabou com o fim do tráfico negreiro prevalecendo ainda nas delegacias do país.

Já nas penitenciárias, ou melhor, nas fábricas de moer carne do país, o transporte não poderia ser diferente. O tratamento desumano que muitos sofrem dentro das cadeias é estendido à sua condução. Há muita transferência de presos. Uma forma do estado golpista subjugar o cidadão que comete a “falta” dentro do sistema penitenciário é mandar o indivíduo para bem longe de seus familiares, dificultando assim o acesso de suas visitas. E o transporte fica a cargo dos temidos “bondes”. Geralmente nesse veículo só cabem em torno de 12 pessoas, seis de cada lado, mas leva o dobro da capacidade, cerca de 20 ou 25 presos, com ventilação precária. Muitos passam mal, chegando a desmaiar, porque se encontram algemados e confinados em um ambiente degradante. O tempo em que eles passam “viajando” nesses veículos é exageradamente longo, pois os “bondes” passam em diversas unidades, recolhendo os presos.

E necessário lutar contra toda essa opressão. O Estado golpista não tem o direito de tratar ninguém como lixo ou escravos. Todo esse abuso tem de acabar. Esse tratamento degradante que são submetidos os mais de 700 mil pessoas encarceradas é um desrespeito a dignidade humana. Somente com a luta da classe trabalhadora que será possível extinguir de vez esses resquícios do tráfico negreiro. 

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