Golpistas são os verdadeiros culpados do maior massacre de indígenas desde a ditadura militar

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Essa semana vieram a público a investigação de dois massacres realizados contra indígenas isolados no estado do Amazonas. Um ocorreu no mês de agosto na Terra Indígena Vale do Javari, extremo oeste do Amazonas, dos índios conhecidos como “flecheiros” no rio Jandiatuba, afluente do rio Solimões. Segundo os indígenas e a Funai, mais de 20 indígenas “Flecheiros” foram assassinados no massacre.

O outro massacre ocorreu na mesma Terra Indígena, entre os rios Jutaí e Jutaizinho, no mês de maio, cuja denúncia foi realizada pelos próprios indígenas da região da etnia Kanamari, cujo resultado foi o assassinato de 18 a 20 indígenas da etnia Warikama Djapar.

Se confirmada essas denúncias, esses massacres entrariam para a história como os maiores massacres desde o fim do período da ditadura militar, um dos piores períodos para os indígenas na história recente do país, conforme a apresentação do Relatório Figueiredo, que apresentava as atrocidades dos militares contra os povos indígenas.

Golpistas fomentaram as condições para esses massacres

A Terra Indígena (TI) Vale do Javari, homologada em 2001, possui mais de 8,5 milhões de hectares e possui uma população indígena de aproximadamente 7.000 habitantes. Segundo informações da Funai, há catorze referências de indígenas isolados na TI e cinco etnias contatadas que apoiam o trabalho da Funai e proteção deste vasto território.

Há décadas este território vem sendo cobiçado por latifundiários e mineradoras da região, que nunca encontraram situação adequada para atacar abertamente os indígenas e suas terras. Essa situação se reverteu com o golpe de estado realizado pela direita e os latifundiários no ano passado contra a presidenta Dilma Roussef.

Os indígenas e os servidores da Funai vêm denunciando que após o golpe os recursos foram cortados drasticamente e os avanços contra os indígenas e suas terras não pararam. Segundo Paulo Marubo, presidente da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), ao sítio Amazônia Real, “essas mortes de parentes isolados são resultado do enfraquecimento da Funai na Terra Indígena Vale do Javari, onde mais tem registro de índios isolados do mundo. Os cortes de recursos e o descaso fragilizaram o território e as ameaças aumentaram”.

As denúncias também apontam para o descaso das autoridades governamentais que foram colocadas no Ministério da Justiça e na direção da Funai, que são formados por latifundiários e um general, respectivamente.

Contribuiu para os massacres a destruição da Funai e cortes gigantescos no orçamento do órgão, que já era muito pequeno. Em todo o território existiam apenas quatro bases da Funai, sendo que uma foi fechada este ano e nas outras três bases, apenas uma funciona com servidos da Funai, as outras duas contam apenas com colaboradores indígenas.

As denúncias são que a atividade de mineração na TI cresceu em 2016 e se agravou em 2017, numa situação somente permitida com os recentes ataques aos povos indígenas e ao clima de beneficiar latifundiários e mineradoras realizado pelos golpistas.

Garimpeiros são “laranjas” dos golpistas

A campanha contra os garimpeiros realizadas pelos golpistas e por seus órgãos de imprensa, conhecidos como PIG (Partido da Imprensa Golpista) foi extremamente dura. Após as denúncias correram para atacar os garimpeiros através de reportagens da Globo, Estadão, Veja, Exame entre outras.

A situação de pobreza extrema criada pelos golpistas e fomentada com trabalho precário e escravo realizado pelas mineradoras de políticos locais serve para criar as condições ideais para justificar intervenção nos territórios indígenas e a exigência de uma exploração “sustentável” através das grandes mineradoras.

As grandes mineradoras sabem do entrave que são os garimpeiros para a sua atividade em áreas ricas em minérios, o caso de Eldorado dos Carajás foi um bom exemplo, onde os militares tiveram que ceder para os garimpeiros e impedir grandes mineradoras de explorar os recursos na região.

Nesse caso, os golpistas se utilizam do “trabalho sujo” dos garimpeiros, que invadem as terras indígenas e atacam os índios, seja para explorar os recursos ou justificar as intervenções do governo golpista para colocar as mineradoras dentro das terras indígenas.

Existe a necessidade de ficar claro para todas as organizações de esquerda e progressistas que o verdadeiro culpado desses massacres são os golpistas e seus financiadores, latifundiários e mineradoras internacionais. Não podemos fazer coro com a imprensa golpista, que prontamente acusou os garimpeiros para esconder os verdadeiros culpados e fomentadores deste conflito.

Destroem os órgãos de apoio aos povos indígenas, acabam com a economia nacional, geram miséria e desemprego, fomentam a invasão de terras indígenas e atacam seus direitos, para depois culpa meia dúzia de garimpeiros que adentram essas terras.

Os golpistas querem retirar toda a população daquela região, sejam garimpeiros ou indígenas, para entregar para os latifundiários e mineradoras internacionais. Estão preparando terreno para a entrega dessas terras para o capital internacional.

É preciso derrotar os golpistas e criar as verdadeiras condições para a defesa das terras indígenas e dos povos isolados.

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