Descaso do governo do DF deixa a população sem água

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Brasília vive, hoje, uma situação de calamidade pública por conta de longos períodos de racionamento de água para a população. E o Governo do Distrito Federal, longe de solucionar o problema, ainda o está agravando por conta de sua própria má gestão em matéria de recursos hídricos.

De fato, os racionamentos de água chegam, hoje, em Brasília, a 16 horas por dia. E, em algumas regiões, como o retorno é gradual, a demora no fornecimento de água chega a até 48 horas após aberto o registro pela Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb).

A justificativa é sempre a mesma: a baixa dos reservatórios. Segundo informações da Agência Reguladora de Águas, que realiza as medições, os dois reservatórios permanecem com o volume abaixo dos 40%. Segundo a Agência, a barragem do Descoberto está com 25,7% da capacidade, enquanto o reservatório de Santa Maria registrou índice de 34,7%.

No entanto, a escassez de água não se deve a um clima seco, mas um problema de falta de vontade política e de eficiência administrativa. Com efeito, não é o consumo das famílias que faz a água faltar, mas a má gestão de recursos hídricos por parte do Governo do DF. Até o presente momento, desconhece-se, por exemplo, qualquer iniciativa política ou educacional do governo que leve os maiores consumidores – agronegócio e indústria – a consumir menos.

De fato, conforme explica o Prof. professor da UFMT Paulo Teixeira, a água utilizada nas residências corresponde a apenas 10% do total consumido. Os 90% restantes são consumidos pelo agronegócio (70%) e pela indústria (20%). Por essa razão, ausente o motivo (seca), constatada a má gestão governamental e sabendo-se que a população é justamente quem consome menos água, não se justifica, sob nenhum argumento, a imposição de racionamentos como esse à população.

A Caesb também não explica como é feita a manutenção e a expansão da infra-estrutura de fornecimento de água. A título de exemplo, a Caesb não esclarece o quanto da escassez de água vem de vazamentos na tubulação. Sabe-se que as companhias de água em todo o Brasil perdem imensas quantidades de água por vazamentos, o que ocorre por falta de manutenção adequada dos dutos e tubulações.

Os governos burgueses, para não gastar, recusam-se a dar manutenção ou expansão adequada às redes de distribuição. E a recusa ainda é maior se o investimento tiver de ser feito nas áreas mais humildes.

De rigor observarmos, ainda, que esse grave problema está acontecendo na Capital do País, Brasília. Se em Brasília está assim, o que está acontecendo, hoje, nos municípios do Nordeste brasileiro, castigados por longos períodos de seca?

A classe trabalhadora deve recusar ser penalizada pela falta d’água. Ela não pode responder pela má gestão de recursos hídricos por parte da Caesb, do Governo do DF ou de qualquer outro governo. Os trabalhadores devem exigir que os governantes estabeleçam uma política de gestão hídrica clara e eficiente, com investimentos em infra-estrutura, com um plano de expansão capaz de atender à demanda e com uma manutenção correta dos dutos e tubulações. Uma política que obrigue a burguesia, seja ela agrícola, pecuária ou industrial, a utilizar tecnologias novas e mais eficientes. Tecnologias que consumam menos água, que poluam menos e que sejam menos agressivas aos recursos naturais e ao meio ambiente.

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