Putin: Lenin fica na praça vermelha

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O Projeto de Lei para enterrar o corpo embalsamado de Lênin, elaborado em abril deste ano por representantes do partido da maioria do congresso, o Rússia Unida (UR), e também do Partido Liberal Democrata Russo (LDPR), de extrema-direita, tem sido veementemente rejeitado pelo governo de Vladmir Putin. Segundo o governo, não foram indicadas as fontes para o financiamento do enterro. A UR, partido de Putin, abandonou o apoio ao Projeto de Lei e o LDPR se mantém hoje como o único patrocinador da ideia na Russia.

Os ultranacionalistas da LDPR propuseram alterar a lei russa existente para regulação de enterros na Russia com um artigo ordenando o “enterro dos restos mortais de Vladimir Lênin” e com procedimentos detalhados a serem tomados pelo governo neste ato específico. Um dos autores da moção, Ivan Sukharev, declarou publicamente que a decisão de ir adiante com o PL foi baseado numa pesquisa – uma sondagem de 2013 mostrava que mais de 60% apoiava a ideia de o enterrar num local apropriado, enquanto em uma das últimas pesquisas sobre o assunto, realizada em abril de 2017, pelo menos 58% dos russos disseram aos pesquisadores que o corpo de Lenin deveria ser retirado da Praça Vermelha e devidamente enterrado, enquanto o próprio mausoléu deve permanecer em seu lugar atual.

O que fica claro é que a decisão é baseada na oposição do deputado e de seu partido a todo o legado e história da Revolução no país. “A revolução bolchevique foi, na verdade, um crime contra o Estado. Nós vivemos agora em um país diferente, mas os símbolos, os mortos ainda permanecem no centro da capital”, disse Súkharev, [só assim será possível] “colocar um ponto final nesse caso e, enfim, reconciliar vermelhos e brancos”.

No início de agosto, o chefe do Partido Comunista (KPRF), Gennady Zyuganov, disse que Putin lhe prometeu que, enquanto permaneça presidente, o corpo de Lênin permanecerá onde está. Contou também que Putin descartou alegações de que Lênin não havia sido enterrado de acordo com tradições cristãs, o que poderia ser utilizado por setores conservadores como desculpa para conseguir retirá-lo de lá.

O apoio ao que foi o Leninismo permanece tão grande na Russia que o Partido Democrata (LDPR) não está conseguindo viabilizar seus planos de enterrar o líder bolchevique, nem mesmo com o suposto apoio da população (já que estas pesquisas podem ser facilmente manipuladas). Até estes setores burgueses, representados por Putin, estão negando apoio irrestrito ao Projeto de Lei.

O que o Partido Liberal Democrata e os setores a favor do enterro de Lênin não entendem é que não é enterrando seu corpo que vão enterrar o legado da Revolução; esta continuará influenciando o mundo todo, como tem sido desde então, sendo estudada e entendida como ensaio geral da Revolução Proletária Mundial.

O debate público sobre a possibilidade de enterrar o corpo embalsamado de Lênin começou nos primeiros dias da Perestroika na década de 1980 e geralmente se intensifica todos os anos antes de seu aniversário e o aniversário da Revolução de outubro de 1917. Os restos mortais de Lenin foram colocados num mausoléu de madeira na Praça Vermelha logo após a sua morte em 1924, temporariamente, até que o projeto definitivo, um mausoléu de pedra, fosse construído e finalizado em 1930. Tanto o mausoléu quanto a Praça Vermelha fazem parte do Kremlin, que é considerado patrimônio mundial pela UNESCO.

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