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O “pacto de sangue” de Palocci com os golpistas - Diário Causa Operária Online

O “pacto de sangue” de Palocci com os golpistas

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O Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, apresentou denúncia no STF (Supremo Tribunal Federal), acusando os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff de obstrução da justiça e de constituírem uma organização criminosa. A acusação do PGR também inclui a senadora Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT entre outros dirigentes petistas.
No dia seguinte, a edição do Jornal O Globo, trouxe na sua capa, uma grotesca manipulação, procurando atribuir a Lula, Dilma e o PT , as malas recheadas de dinheiro de Geddel Vieira, um dos dirigentes da quadrilha do PMDB que, junto com o PSDB e DEM tomaram, sem nenhum voto do povo, o comando do executivo.

Durante todo dia 6 de setembro, verificou-se também uma intensa campanha publicitária sobre o lançamento oficial do filme-propaganda Operação Lava Jato, a Lei é para todos. Ainda nesse mesmo dia, mais uma denuncia contra Lula e Dilma, e um outro grande espetáculo golpista: o depoimento ao Juiz Sergio Moro do ex-ministro Antonio Palocci “confirmando” a versão oficial da Lava Jato contra Lula, afirmando que havia um “pacto de sangue” com base em propinas entre o ex-presidente e a empreiteira Odebrecht, que continuou no governo Dilma.
De maneira geral, este novo depoimento segue o mesmo padrão dos depoimentos-delações da Lava Jato, ou seja, confissões tomadas sobre pressão, onde o depoente conduzido pelo juiz Sergio Moro procura mostrar que o grande corrupto e responsável por todo esquema mafioso é Lula, seguindo o script do Power Point dos procuradores da Lava Jato.

Em total sintonia com o padrão delação Lava Jato, nenhuma prova é apresentada e o depoimento é seguido de uma espetacular cobertura da imprensa golpista, em especial da divulgação em primeira mão de trechos selecionados dos depoimentos no Jornal Nacional.
A novidade da delação de Antônio Palocci é a importância do próprio delator , uma vez que o mesmo foi uma figura chave no governo Lula, sendo ministro da economia, tendo um papel relevante na articulação com os setores empresariais e bancários. Além do mais, é a primeiro vez que um petista de alto escalão ataca diretamente Lula e Dilma.A delação de Palocci cumpre o mesmo papel dos “arrependimentos” conseguidos sob tortura na época da ditadura militar, ou seja tentar desmoralizar aqueles que lutam contra o autoritarismo.
Como já foi dito antes, a delação de Palocci não traz nenhuma prova e mostra inclusive evidentes contradições, notadamente com outras delações apresentadas como “provas” contra Lula. As ” declarações” de Palocci são exploradas pela maquina de propaganda golpista como uma “ confissão” do próprio PT, uma confirmação final que todos os crimes imputados pelo juiz Sergio Moro são verdadeiros.
Como é constantemente alertado pelo PCO, o impeachment foi um golpe de Estado, entretanto o golpe não se restringe ao afastamento da presidenta Dilma Rousseff, é um processo político de maior alcance, visa alterar profundamente o próprio regime político, estabelecendo um estado de exceção, para melhor implementar uma política de terra arrasada contra os trabalhadores e os direitos sociais do povo.
Neste sentido, a direita e os golpistas tem o claro propósito de condenar Lula e até mesmo colocar o PT na ilegalidade. Dessa forma, a condenação de Lula por Sergio Moro em primeira instância;a tentativa de condena-lo em outros processos-farsa; a denúncia de Janot e a delação de Palocci são indicadores concretos que os golpistas estão implementando uma política consciente de liquidação do PT e Lula.
É importante ressaltar que mesmo seguindo os mesmos padrões anteriores, como no estardalhaço criado na época da divulgação da lista da Odebrecht, o requentamento das mesmas denúncias anteriores representam um aprofundamento da perseguição a Lula. O aumento da intensidade dos ataques não é por acaso, pois acontecem justamente uma semana antes do um novo depoimento de Lula em Curitiba, ou seja é fundamental para os golpistas criar um clima político que coloque na defensiva os militantes anti-golpistas, para enfraquecer manifestações contra a prisão de Lula.
Num panorama de crise de popularidade do governo golpista, e sobretudo pelo desenrolar do cenário político, com aumento da divisão entre próprios golpistas e a demonstração do apoio popular a Lula, expresso na caravana no Nordeste, o “caso Lula” precisa ser “resolvido”, na ótica golpista, o quanto antes. Não se trata apenas de uma questão judicial, mas de uma questão decisiva para a continuidade do golpe.

Desmoralizar e golpear qualquer possibilidade de reação popular é um ponto decisivo para manter uma maior margem de manobra para os golpistas, diante das contradições cada vez mais relevantes abertas com o golpe( crise econômica, necessidade de aumentar os ataques contra os trabalhadores, nenhum apoio popular e a divisão no interior da burguesia).
O ataque coordenado entre judiciário e a mídia é uma jogada ensaiada. Como já apontamos, apesar de não ter neste momento grandes mobilizações populares, a narrativa de que não houve golpe encontra-se bastante comprometida.

As medidas anti-populares como a liquidação da CLT, cortes de verbas, etc revelam mesmo para os setores vacilantes por que foi dado o golpe de estado.
Os setores capitalistas diretamente ligados ao imperialismo, através do aparato jurídico conservador tomou controle do próprio estado e através de uma aliança com a imprensa capitalista, criaram um verdadeiro “pacto de sangue”, em que os direitos constitucionais e os procedimentos democráticos são vilipendiados.
A delação sem prova e acusações baseadas tão somente em delações é um circulo vicioso que a “ doutrina jurídica” da Lava Jato, assim como a absurda tese de “domínio dos fatos” estabeleceram no País.

O depoimento de Palocci foi arrancado através de ameaças e da sinalização de redução de penalidades, através dela, o aparato autoritário da Lava Jato conseguiu que o ex- ministro colaborasse com a encenação de uma farsa política. O Objetivo claro de Palocci com as denúncias contra Lula é conseguir homologar um acordo de delação premiada, em fase de negociação.
Neste processo de capitulação política, até mesmo a identidade de “ italiano”, presente na Lista da Odebrecht, o delator foi obrigado a aceitar, como uma nova certidão de nascimento, simbolizando adesão ao “pacto de sangue” com os golpistas.
A perseguição contra Lula pelo judiciário, não é uma simples ” judicialização” da política, mas o estabelecimento de uma ditadura do judiciário, conjugada com uma manipulação da imprensa, fomentando a fantasia da luta contra corrupção, para justificar a quebra dos direitos dos “inimigos públicos”. Essa articulação já demostra que a ideia que o golpe foi apenas ” parlamentar” ou constitucional não correspondem a realidade, na medida em que o próprio judiciário ( sob a tutela dos grupos golpistas) tem um papel decisivo no golpe, sendo o primeiro a atuar de uma maneira abertamente contra a constituição.
A grande aliança entre a grande mídia, judiciário, parlamentares corruptos e capitalistas para atacar os trabalhadores, precisa reconfigurar o sistema jurídico e o regime politico de conjunto.

A delação de Palocci, como todas as outras, é o verdadeiro pacto de sangue imposto pelas forças golpistas através do judiciário.

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