Moro: paladino contra a corrupção?

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Durante o processo do golpe, no qual a imprensa burguesa fez uma campanha demagógica contra a corrupção, uma das coisas que os golpistas precisaram fazer foi: criar um novo herói super “ético”, que estaria livrando o Brasil de (supostamente) seu “maior mal”, a corrupção. O endeusamento de Sérgio Moro serviu para, paralelamente, destruir direitos democráticos, perseguir políticos, destruir a economia, e assim por diante. Criou-se uma cruzada “contra a corrupção”. Como se, para prender um “corrupto”, valesse tudo. Uma verdadeira “caça às bruxas”, já que a corrupção é estruturalmente capitalista, e, enquanto este modelo predominar, não será abolida.

Porém, quanto mais o golpe se desenvolve, mais a máscara de Sérgio Moro cai. O professor universitário Fabiano Kenji Nohama pesquisou mês a mês o salário de Moro desde janeiro de 2015. Com isso, revelou algo importante: o grande paladino moral, herói do país, Sérgio Moro, “é contumaz na ação de furar o teto constitucional.” (http://www.diariodocentrodomundo.com.br/levantamento-mostra-que-salario-de-moro-furou-o-teto-constitucional-nos-ultimos-32-meses-por-joaquim-de-carvalho/)

Segundo a constituição, o teto para juíz é R$ 33.763,00. Entretanto, a pesquisa demonstra que salário bruto mensal do juíz, em 2015, foi de R$ 56.960,68. Em todos os 32 meses pesquisados por Fabiano, Moro teve o salário acima do teto. Em dezembro de 2016, seu salário chegou a alcançar 100 mil reais. Isso num país onde o salário mínimo é inferior a mil reais.

Em seguida, Fabiano procurou se informar, no site do TRF-4, a justificativa para salários tão elevados. Segundo o Diário do Centro do Mundo:”A maior parte da receita de Moro paga pelos cofres públicos no mês de dezembro de 2016 foi sob a rubrica “vantagens eventuais”.

“Quando se clica na interrogação que acompanha a rubrica, informa-se que o juiz recebeu R$ 83.379,50 a título de: “Adicional de 1/3de férias, antecipação de férias, gratificação natalina, antecipação de gratificação natalina, serviço extraordinário, substituição, convocação, gratificação de acúmulo de jurisdição, além de outras desta natureza”.

“Dezembro de 2016 foi o mês em que juiz fez pelo menos três palestras ou conferências, uma delas em Heidelberg, na Alemanha, no dia 9.

“Fica difícil entender por que, neste mês, ele recebeu por “serviço extraordinário”, já que teve de se ausentar de Curitiba para suas atividades extra jurisdicionais.

Esses dados ajudam a compreender mais claramente duas coisas. A primeira é que, obviamente, Moro não é nenhum ser místico caído do céu da imparcialidade para julgar os malvados corruptos. A segunda é que deixa implícito o funcionamento do Estado burguês: Estado controlado por capitalistas através de, não só de políticos com mandatos financiados por empresas, mas também de juízes, desembargadores, procuradores e, basicamente, quase toda a burocracia estatal aparelhados pelas classes dominantes. E são as famílias mais ricas que controlam tudo. Isso demonstra a farsa que é a Lava Jato. A operação é apenas uma manobra do imperialismo para conter divergências políticas e implantar uma ditadura de aparência democrático, ao mesmo tempo em que destrói a economia e gera desemprego, enfim, prepara o país para o domínio completo do imperialismo no regime.

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