Gazeta do Povo não é a nova nem a velha esquerda, é a direita de sempre

Compartilhar:

Um dos maiores jornais do Paraná, o Gazeta do Povo, publicou uma coluna assinada por Alexandre Borges “Pau que bate em Chico e a nova esquerda”.

A tese central do redator é a de que existem duas “esquerdas”. Grosso modo, uma “nova esquerda” que seria aquela que abandonou as velhas ortodoxias do marxismo, do comunismo, do socialismo ou seja lá o que a cabeça do colunista considera “velho”. A nova esquerda adota ideias “heterodoxas”, chegando até a incorporar valores capitalistas. O exemplo de “nova esquerda” é o PSOL e outros partidos que preferem o amarelo ou o verde ao vermelho dos antigos partidos comunistas.

A “velha esquerda” que está apagada aos velhos conceitos de classe, de revolução e sabe-se lá mais o que. Para o colunista, a atitude em relação ao novo disco e à nova música de Chico Buarque é o melhor exemplo da diferença entre a “velha” e a “nova” esquerda. Segundo ele, os que defendem o compositor são velhos, como foi o caso do PCO, que procurou atribuir os ataques recebidos por Chico à campanha sofrida por ele os coxinhas.

Alexandre Borges cita a matéria publicada pelo Diário Causa Operária chamado “Desaforos é um tapa na cara da direita” na qual explicamos a música de Chico Buarque como um ataque aos coxinhas que durante todo o processo do golpe se preocuparam em atacar figuras públicas da esquerda em restaurantes e locais públicos. O próprio Chico foi alvo desses ataques em um restaurante no ano passado protagonizado por dois mauricinhos, filhinhos de papai, ou melhor, filhinhos de empresário e fazendeiro metido em trabalho escravo. Com a destreza de quem já tem mais de 50 anos de carreira, Chico desvela a total falta de luzes dos coxinhas fascistas.

Mas não se trata aqui de simplesmente defender Chico Buarque. É preciso explicar para o nosso genial colunista do Gazeta do Povo que o PCO, diferente do que ele diz, não é nova nem velha esquerda. O PCO é uma esquerda revolucionária, o PCO se organiza para ser um instrumento da classe operária para a tomada do poder. Velha ou nova, temos apenas uma certeza: lutamos pela revolução que vai destruir as atuais estruturas sociais, políticas e econômicas, essas sim, muito velhas.

A discussão sobre a “velha e a nova” esquerda nós deixamos para a esquerda pequeno-burguesa de salão. A esquerda que gosta de inventar muitas teorias, como essa da “velha e da nova esquerda”, que não servem para nada e não têm nenhum fundamento na realidade. Existe apenas na cabeça de acadêmicos e escritores como Alexandre Borges.

Por fim, a chamada “nova esquerda” não tem absolutamente nada de nova. É a esquerda pequeno-burguesa de sempre, que segue a moda para parecer moderna mas que nada faz além de reciclar ideias do passado. Assim, os que hoje substituem a luta pela revolução e o socialismo por ideias ecléticas – para dizer o mínimo – de ecologia, proteção dos animais, amor livre ou qualquer coisa do gênero apenas estão imitando os seus antepassados da esquerda pequeno-burguesa.

Já o Gazeta do Povo e seu colunista, embora tenham demonstrado muita preocupação em definir o que é a “nova ou a velha esquerda”, não são nem uma nem outra coisa. A Gazeta do Povo nada mais é do que um jornal da direita, da direita de sempre. A inimiga dos trabalhadores e de todo o povo. A direita que apoiou e apoia o golpe. Um jornal dedicado a defender os interesses dos poderosos que o financia.

artigo Anterior

Grupo Globo usa escândalo de Geddel para atacar Lula

Próximo artigo

Análise Política da Semana é hoje às 11:30, tema central será a perseguição à Lula

Leia mais

Deixe uma resposta