Democracia norte-americana: a igualdade formal encobre a desigualdade real

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O Federal Reserve, banco central norte americano revelou dados de uma pesquisa onde são apontadas diferenças que mostram um déficit salarial nos rendimentos da população negra dos Estados Unidos, na ordem de 30% em relação ao salário médio aos brancos.

Isso significa – traduzindo em números – que enquanto um trabalhador branco ganha, por exemplo, 100 dólares, o trabalhador negro, em média, recebe somente 70 dólares. Esta diferença, que era de 20% no final da década de setenta, aumentou – segundo a pesquisa, para 30% em 2016.

Chama a atenção o fato dos pesquisadores não entenderem o porque desta acentuada queda na renda dos negros nos Estados Unidos. Eles trabalham com idéias do tipo “razões inexplicáveis” para tentar “compreender” o fenômeno, como se o mesmo não tivesse uma explicação objetiva e concreta.

“É especialmente preocupante a parcela inexplicável da divergência nos ganhos dos negros em relação aos brancos”, escreveram Mary Daly, diretora de pesquisa do Fed de São Francisco e seus colegas autores, “acrescentando que a diferença pode ser motivada por fatores difíceis de medir, como discriminação ou diferenças na qualidade do ensino” (site UOL, 06/09).

A discriminação racial e a opressão social dos negros  na “maior democracia do planeta”, no país das “oportunidades” desencadeia um conjunto de fatores que levam, necessariamente, a um rebaixamento no valor da força de trabalho deste segmento populacional.  Não pode deixar de ser dito que a crise que atinge em cheio – há quase uma década (desde 2008) – a economia mais industrializada e desenvolvida do planeta, expõe todas as vísceras de um sistema moribundo, sendo as principais vitimas desta situação exatamente os setores mais vulneráveis da sociedade (os negros e as mulheres).

Portanto, as causas são por demais conhecidas. Não só a crise capitalista que arrasta milhões, indistintamente, ao desespero e ao flagelo do desemprego, mas as próprias condições a que estão submetidos as minorias no território norte americano potencializam todas as degradantes condições a que estão expostos os negros norte americanos.

O avanço da reacionária direita racista nos Estados Unidos – turbinada pela eleição do direitista Donald Trump – fez recrudescer a violência racial na terra do Tio Sam, onde as legiões fascistas (Ku Klus Kan) estão intensificando a perseguição às minorias (em particular a população negra), como se viu recentemente em Charlottesville, no Estado da Virginia, onde os negros e ativistas dos movimentos de defesa dos direitos democráticos reagiram à altura às provocações dos racistas.

Falta aos oprimidos norte-americanos neste momento uma organização política independente, de combate, de luta, que exponha com toda a clareza a profundidade e a envergadura da crise histórica do capitalismo e suas consequências para as minorias. Está colocada – mais do que em qualquer outro momento – a luta para colocar de pé um verdadeiro partido operário e revolucionário, que lute por agrupar a vanguarda da classe operária, da população negra e da juventude daquele país para levar adiante a luta pelas reivindicações de todos os explorados diante do avanço da crise e um programa revolucionário que impulsione a organização independente de um dos mais importantes setores da classe operária mundial.

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