Joesley: procuradores combinavam histórias da delação

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Um grampo contendo uma conversa de Joesley Batista e Marcelo Saud, delatores da JBS, contem afirmações que evidenciam um possível esquema de favorecimento a determinados grupos e figuras por parte da justiça.
Joesley diz no áudio que entendeu as intenções subliminares do Ministério Público (MP) durante as conversas para fechar o acordo de delação premiada e parece ter convicção que não seria preso.
Para Joesley, tudo parecia combinado e ele fingia não entender, no áudio ele revela: “eu acho que eu sei o que o Ministério Público está fazendo. Eu acho que sei o que o Anselmo está fazendo. O Anselmo faz as peripécias dele tudo, eu olho para ele e digo: ‘chefe, é o seguinte, eu tô entendendo’. (…) É o seguinte, nós não vamos ser presos”.
Em outro trecho Joesley mostra acreditar que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, estava sabendo do acordo: “não é o Marcelo. Nós falamos para o Anselmo, que falou pro Pelella. Que falou para não sei quem lá, que falou para o Janot. O Janot está sabendo. O que o Janot espertão falou: ‘Bota para foder, bota para foder, põe pressão neles para entregar tudo’. Mas não mexe com eles… Não foder, dar pânico nele”.
Questionado por Saud do porque esse acordo não era combinado as claras Joesley afirmou: “porque não pode ser combinado! Você não pode entender isso. Eu entendo e não devia estar entendendo. Ninguém está entendendo. Por isso que digo da pretensão, e posso estar completamente errado, mas tenho a pretensão de achar que estou entendendo. Eu acho que entendo o que as pessoas acham. Em condição normal de pressão e temperatura, eles estão fazendo o que era previsível. Pensa no lugar deles. O que eles fariam: ‘toca pressão nesse povo’. Mas não mexe com eles”.
Joesley, na conversa, da a entender o interesse claro do MP: implicar políticos definidos e por isso, na delação premiada diz apenas coisas que interessariam a esse jogo do MPF, afirmando que reaje “muito mais pelo que acho que você está pensando do que pelo que você está falando”, pontuou.
A publicação desse áudio revela mais uma vez a parcialidade e a característica política do Poder Judiciário, que usa as delações como ferramenta para atacar apenas os alvos que interessam.

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