Erdogan: “colocações de Merkel contra a Turquia são nazistas”

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A tensão entre a Alemanha e a Turquia voltou a aumentar. Durante um debate no domingo (3), os dois candidatos a primeiro-ministro da Alemanha, Angela Merkel, que governa a Alemanha desde 2005, e Martin Schulz, líder dos social-democratas, afirmaram que a Turquia não deve entrar na União Europeia (UE). Merkel disse que não acredita que a Turquia deveria se tornar um membro da UE. Schulz disse que será mais duro com a Turquia, que já “cruzou a linha várias vezes” ao “não respeitar os direitos humanos”.

A resposta de Recep Erdogan veio na quarta-feira (6). Erdogan afirmou que os comentários contra a Turquia dos políticos alemães são uma “aplicação do nazismo”. E pediu que a UE seja clara a respeito da entrada da Turquia no bloco. Que tenham “coragem” para colocar exatamente sua posição em relação a esse assunto. Atualmente, a Turquia tem um acordo com a Europa para conter o fluxo de refugiados para a Europa, e por isso o governo turco quer ajuda da UE em dinheiro para poder lidar com o impacto econômico do fluxo de refugiados no país.

Não é a primeira vez que Erdogan chama os políticos alemães de nazistas. Erdogan fez essa mesma acusação quando o governo alemão proibiu seus ministros de fazerem comícios na Alemanha para a grande comunidade turca que vive no país, durante as eleições turcas realizadas esse ano. Os comícios foram proibidos na Alemanha e também na Holanda.

Contradições do nacionalismo burguês

Ano passado, Erdogan quase sofreu um golpe de Estado. O golpe foi coordenado pelo imperialismo, que aproveitou a massiva presença da OTAN na Turquia. A manobra do imperialismo para substituir o governo turco foi impedida pela população, que tomou as ruas em defesa do governo e enfrentou os militares. O motivo do golpe são as contradições entre a burguesia nacional turca e o imperialismo.

O governo de Erdogan é um governo nacionalista burguês, que se apoia na fraca burguesia nacional e nos trabalhadores. Governos assim têm contradições com o imperialismo e ao mesmo tempo buscam uma conciliação com o imperialismo. Quando o golpe foi derrotado na Turquia, o imperialismo lançou uma nova campanha contra Erdogan, usando a questão das violações dos direitos humanos que o governo estaria cometendo ao expurgar o exército de golpistas.

Mesmo assim, Erdogan continua buscando a conciliação, e até a entrada da Turquia na UE. A Turquia também continua sendo a principal base de operações da OTAN. A busca por uma conciliação com o imperialismo mesmo tendo contradição com o imperialismo é uma característica de todas as burguesias nacionais de países atrasados. É o que explica a tentativa de derrubar Erdogan, para colocar um governo mais diretamente ligado ao imperialismo, que aplique seu programa para os países atrasados integralmente na Turquia. Motivo que também levou aos golpe no Brasil, no Egito, na Ucrânia, na Tailândia, em Honduras e no Paraguai nos últimos anos.

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