Maia, do DEM, é convidado de honra: como assim, PCdoB?

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A solenidade de lançamento do XIV Congresso Nacional do PCdoB aconteceu na Câmara dos Deputados, no último dia 29, terça-feira, estiveram presentes representantes de partidos de esquerda como o PSOL e a presidenta do PT, Gleisi Hoffman, no entanto, todos os olhos voltaram-se para a figura que destoava deste quadro de figuras do mundo dito progressista, esta figura era Rodrigo Maia do DEM.

Ao anunciar Maia, a ex-prefeitável do PCdoB, Alice Portugal chamou-o de “presidente da república em exercício”, uma cortesia extendida ao homem que capitaneou os projetos de lei da reforma trabalhista e da terceirização, além do próprio golpe, que é de chocar qualquer um assistisse a cena, e as dezenas de pessoas que assistiram a solenidade pela internet ficaram um tanto atônitas.

Em discurso de cinco minutos, o golpista Maia falou da necessidade de pacificar o devastado Brasil que completa um ano de golpe de Estado. A pacificação de um país com 14 milhões de desempregados, com direitos trabalhistas cortados a praticamente zero e cujos investimentos estão legalmente congelados por duas décadas, só é possível através da lobotomia em massa do povo.

O partido esquerdista, que de comunista tem muito pouco ou quase nada, foi carinhosamente tratado por Maia em seu discurso, apenas aumentando a escatologia da cerimônia.

Vale ressaltar que Rodrigo Maia, nome cogitado por setores da burguesia para assumir a presidência no período em que o governo ilegítimo de Temer quase foi derrubado, ocupa a presidência da Câmara dos Deputados com apoio do PCdoB ofertado no início de 2017.

Para bom entendedor, meia palavra basta. Se Maia é presidente da república em exercício é porquê ele é o legítimo sucessor de Temer, e se o PCdoB reconhece isso, é porquê não reconhecem o absurdo que foi o golpe, não reconhecem que o governo que aí está é ilegítimo, não reconhecem que todos os partidos que desta brutalidade tomaram parte são inimigos declarados do povo.

O PCdoB chamou o inimigo do povo para seu Congresso, o momento máximo da democracia de qualquer partido, pois o PCdoB não considera que Maia é seu inimigo, e nem Maia vê no PCdoB um inimigo, muito pelo contrário. Ambas as asserções dizem muito mais sobre o caráter do PCdoB do que o de Maia.

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