Disputa entre tucanos expressa divisão da burguesia

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A imprensa burguesa vem dando cada vez maior destaque à divisão no interior do PSDB (e de outros partidos golpistas) em torno das pre-candidaturas do governador paulista, Geraldo Alckmin e do prefeito de São Paulo João Doria. Dória, depois de muito negar, está cada dia mais candidato enfrentando aquele que teria sido seu “padrinho” na disputa pela pela maior prefeitura do País, no ano passado, sob o disfarce do “gestor que não seria político”.

Segundo divulgou o jornal golpista Folha de S. Paulo, neste sábado (dia 2), “dirigentes do PMDB, do PSD e de partidos do centrão já dizem abertamente que veem Doria com mais chances de êxito em uma eventual disputa à Presidência em 2018”; uma maioria do DEM também estaria se inclinando para Dória. Alckmin, por sua vez, além da maioria do PSDB (neste momento) teria o apoio da maioria do PSB, do PTB, do PV e do PPS.

Em todo esses partidos, no entanto, há divisões internas, não são em relação à esses dois candidatos, mas também diante de outras possibilidades eleitorais (uma ala do PSB, por exemplo, cogitaria apoiar uma possível candidatura de Lula) expressando a divisão cada vez maior no interior da burguesia, inclusive, em torno da possibilidade da não realização de eleições no próximo ano, ante à evidente fragilidade de seus candidatos principais frente à imensa maioria da população e diante da necessidade de  cassar os direitos políticos e até prender o ex-presidente Lula, de longe o mais popular de todos os possíveis candidatos colocados.

A disputa vai além da aparente conquistas de simpatias e apoios entre as máfias políticas que controlam os partidos burgueses e os verdadeiros donos desses partidos, os grandes capitalistas estrangeiros e “nacionais”. Por detrás estão também as intensas negociações e disputas entre as frações golpistas sobre como levar adiante o golpe de estado que está fazendo retroceder como nunca as condições de vida dos trabalhadores e de suas famílias e impondo um profundo retrocesso na economia nacional em favor dos banqueiros e dos monopólios imperialistas.

Está divisão deve intensificar nos próximos dias a onda de denuncias contra os adversários de cada uma das frações entre si e contra o ex-presidente Lula e o PT. Uma evidência dessa situação são as recentes ações da Polícia Federal e do MPF contra o chefe da Casa Civil do governador Beto Richa, Valdir Rossoni (PSDB), que “fez campanha pela saída de Aécio Neves da presidência do partido logo que surgiram as acusações contra o mineiro”.

A classe trabalhadora e suas organizações tirar proveito da divisão da burguesia, se unificando em torno da luta contra o golpe. Não se trata de esperar pelas incertas eleições do próximo ano, mas de mobilizar os explorados e suas organizações já em torno de questões centrais como as que foram aprovadas no Congresso Extraordinário da Central única dos Trabalhadores, realizado na última semana: a unidade dos povos latino americanos na defesa da Venezuela contra os golpistas sob o comando do imperialismo norte-americano (como aqui); a luta contra as condenações fraudulentas e a prisão de Lula que se prepara: a mobilização pela anulação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff e a mobilização da classe operária e demais trabalhadores, principalmente, a partir de seus locais de trabalho, contra as “reformas” já impostas pelos golpistas (como o fim da CLT e a terceirização sem limites) ou em andamento, como a liquidação das aposentadorias.

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